Hoje seremos pássaros Arranquemos as vestes da agonia e sejamos luzPorque todo caminho é poema e estridente risoArranquemos as vestes da dor do escuro passadoPorque toda pétala é reconhecimento da nova corDeixemos as portas abertas ao vento da esperançaAbramos as nossas veias ate sentir o sal da terraVisceralmente teremos de sentir a caricia da pazDesgarrados silêncios terão a força dos ju ...
Hoje seremos pássaros Arranquemos as vestes da agonia e sejamos luz
Porque todo caminho é poema e estridente riso
Arranquemos as vestes da dor do escuro passado
Porque toda pétala é reconhecimento da nova cor
Deixemos as portas abertas ao vento da esperança
Abramos as nossas veias ate sentir o sal da terra
Visceralmente teremos de sentir a caricia da paz
Desgarrados silêncios terão a força dos justos
Porque hoje será o nosso dia entrega essencial
Hoje seremos pássaros desenhados por crianças
Hoje quando anoiteça a lua será nosso espelho
E a nossa carne uma espiga na constelação divina
Não há mais tempo para esperar o que existe em si
A felicidade lateja junto ao lago da tua humana lágrima
Deixa-te levar pela surpresa das frutíferas sombras
E colhe de ti todo o brilho que escondido estava
Porque hoje, amor, minha pele será teu manto
E teu beijo um sagrado salmo de infinito desejo
Hoje quando os homens durmam sem destinos
Nós semearemos o amor desta magna alegria.
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Agora Alguém nesta clara noite escurece os sonhos
Alguém neste instante joga sua sorte no baralho marcado
Alguém está perdido no meio do seu interior
Alguém procura seu canto e atordoa os ventos
Alguém lê em livro profano e mente orações
Alguém diz, te amo, com uma faca espetada na alma de outro alguém
Alguém esquece seu nome na frente do espelho vazio
Alguém chorou o destino da pétala morta no inverno
Alguém se observa na rua cega de ilusões pueris
Alguém sente a raiva contida da humana miséria
Alguém escreve um poema sem rima nem sangue
Alguém faz das suas vísceras a corda da fuga
Alguém ainda espera o apito de um trem fantasma
Alguém bate na porta errada e deixa uma flor azul
Alguém pensa em ti como a essencialidade das brisas
Alguém que desconhece o sentido das horas não cansa
Serei esse alguém ou algum dos outros?
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Dona Vida Uma mão tremula e uma flor no caminho deserto
Distantes distâncias dum futuro aberto e incerto
Algumas paredes em ruínas e uma janela fechada
Os pés rasgados na procura da vital esperança
Dona Vida era assim nos tempos de infância
Tempos de tempos áureos e horas sem rumo
Tudo era rio de frutas maduras e sedentas bocas
Dona Vida era etérea e bonita como um beijo
Lembro da sua roupa de sábado brilhante e feliz
Sempre altiva e misteriosa sem pecado nem dor
Dona Vida era sol, lua, relva e sonhado mar
Ela me beijava sem eu ter nada para ofertar
Nosso amor cresceu sem licenças nem perdão
Cresceu como o mato da esquina do adeus
Cresceu como vôo pássaros livre para sonhar
Dona Vida me ama ainda e eu só sei esperar
Uma mão tremula e uma flor no semeado caminho
Distantes lembranças e um poema ainda por começar
Alguns jardins de desconhecidas cores vitais
E Dona Vida que não se cansa de se doar.
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Apresentação:
Flavio Brasil PettinichiEmbora minha expressão artística se faça através da pintura, da escultura, de desenhos e da fotografia, sou alguém que respira pela poesia e lateja pelos poemas. Acredito que seja inútil a gente se esconder sob a maquiagem da segurança material e da alegria comprada... As verdadeiras razões de viver em paz apresentam-se sob a forma de tão pequenas coisas que, às vezes, precisamos ajoelhar-nos para pegá-las!!! E, isso, se chama rendição!!!
flaviopettinichi@click21.com.br