Net 7 MaresNascido na cidade do Rio de Janeiro [Brasil], no bairro da Gávea; militar da Marinha de Guerra, poeta e escritor, com formação em Letras/Inglês na UFMS e UECE, Sua poética transita pelo que, neologisticamente, chama de neoparnasiano-lírico, onde a preocupação com a forma é uma constante, e a figura da musa inspiradora, real o ...
Net 7 Mares
Nascido na cidade do Rio de Janeiro [Brasil], no bairro da Gávea; militar da Marinha de Guerra, poeta e escritor, com formação em Letras/Inglês na UFMS e UECE, Sua poética transita pelo que, neologisticamente, chama de neoparnasiano-lírico, onde a preocupação com a forma é uma constante, e a figura da musa inspiradora, real ou imaginária, está, quase sempre, presente. Fiel ao princípio de que a Poesia deve ser escrita para o grande povo leitor, e não apenas para intelectuais, faz uso de linguagem e figuras simples em suas composições, de modo a alcançar melhor aquele destinatário ideal.
Neste mergulho desajeitado em seu ego, declara-se um apaixonado pelo idioma pátrio; um defensor ferrenho dos Direitos Humanos, proclamados na Declaração Universal promulgada pela ONU, principalmente no que se refere ao DIREITO À LIVRE EXPRESSÃo DO PENSAMENTO; e um intransigente e obstinado guerreiro na luta contra todas as formas de transgressões éticas, notadamente aquelas do meio político nacional.
Resume-se, enfim, seu perfil numa mistura homogênea de nobreza militar com porções de poesia, onde a inabalável lealdade aos amigos desponta como o mastro principal que pode, sim, ranger, quando, por exemplo, usa de franqueza para dizer o que pensa... Mas não quebra.
CARTA À MUSA
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Não te irrites, musa amada,
Se estanco a ti meus versos,
Ou se os mando tão dispersos,
Que te deixo acabrunhada;
Nem penses que já te esqueço,
Por parecer arredio...
Fica certa: em ti confio,
E o teu amor bem mereço.
Se, de ti, ando afastado,
É que tenho razão forte
Que envolve vida e morte,
A manter-me atarefado.
Não falo da morte à toa
Que acomete os de má sorte;
Eu falo é de outra morte:
Daquela que n'alma ecoa
Em poemas indigentes,
De poetas da indolência,
Onde, em versos sem cadência,
Rima e metro estão ausentes.
Ah! Sem esses componentes,
A alma vai sufocando
E, sem voz, vai definhando
Nas letras inconseqüentes
De gente 'nariz pra cima',
Que se mete a poeta,
Mas que escreve e não completa
Nem sequer um par de rimas.
É gente que desconhece
Que'alma vive de poemas
Bem rimados nos fonemas,
Onde a emoção floresce.
Ou gente fazendo graça
Para amizades reles,
Aplaudindo, em URLs,
A poesia em desgraça.
Contra isso luto e clamo
E aqui vou pelejando,
Ainda que me afastando
Da musa que tanto amo;
Pois, com a alma assim ferida
Pela poesia torta,
Hei de ver-te, musa, morta,
E, sem ti: - Adeus, ó vida.
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DESCONSOLO
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Ainda me lembro da triste partida...
Sem tua presença, achei-me perdido,
E aos céus elevei-me, naquele instante,
A ver se nos raios de um sol tão distante
Pudesse encontrar, em calor convertido,
Um alento, um consolo à dor da tua ida.
Talvez, mergulhando no azul infinito,
Ali, encontrasse a paz inebriante
Que me consolasse a alma ferida...
Em busca do Sol fui, em minha aflição,
Mas os raios solares perdiam-se ao léu,
E nem tinham o dourado que me seduz
Dos cabelos que tive ao alcance da mão...
E que graça, ali, eu veria no céu?
Pois, ainda que azul e imerso em luz,
Faltava-lhe o brilho banhado em emoção,
Que eu vi no azul dos teus olhos, querida,
Marejados nas lágrimas da despedida.
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FLOR-DE-LIS
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Te quero comigo, como eu sempre quis,
Para, tendo-te presa, envolta em meus braços,
Despir teus pudores com gestos devassos,
Decidido a busca meu troféu Flor-de-Lis;
Preencher com volúpia os cantos e espaços
De teu corpo, a fazer-te minha meretriz;
Ler nos teu olhos o que a boca não diz;
Romper teus tabus, desatar-te dos laços
E, submetendo-te a estranhos compassos,
Flagrar em tua face o róseo matiz
De ver-se rainha em poses servis,
Por mim conquistada nos tons violáceos
Das marcas dos beijos em pontos esparsos...
Flor despetalada, vencida e feliz.