A VIDA DA PALAVRA [crônica]Interessante conjecturar sobre a vida da palavra, quando na escrita, há de se desenvolver esta temática através da própria palavra como meio comunicativo e persuasivo desta tese. A vida da palavra nos se apresenta como o artista plástico que emoldura sua arte através de seus sinais na tela e dá-lhe a vida traçando seus riscos, aguardando que ela v ...
A VIDA DA PALAVRA [crônica]
Interessante conjecturar sobre a vida da palavra, quando na escrita, há de se desenvolver esta temática através da própria palavra como meio comunicativo e persuasivo desta tese.
A vida da palavra nos se apresenta como o artista plástico que emoldura sua arte através de seus sinais na tela e dá-lhe a vida traçando seus riscos, aguardando que ela venha sussurrar toda sua emoção para aquele que a vê.
A palavra, porém, está acima de um sinal gráfico, a sua vida está contida nos variáveis empregos de sua etimologia. Ela pode ter vida própria quando empregada só e, lexicamente correta quando nos sobressalta, sobremaneira como socorro, guerra e morte; nos alivia ao ler paz, saúde e prosperidade; quando nos modifica e eleva a nossa alma como Deus, saudade e amor.
A palavra vive em colisão etimológica quando é mascarada através de expressões m℮tafóricas, o que lhe desnuda de sua significação e de sua construção sintáxica na oração.
A vida da palavra, está diretamente atribuída à sua construção, ao seu direcionamento ou, alvo de público ou leitor, na sua abrangência de mensagem que se propõe no tempo e no espaço. A palavra nos leva a vivencia-la diretamente proporcional ao nosso estado de espírito, assim, a evidenciamos quando contida no universo de nossa emoção, e incontinenti a expurgamos, quando não nos desperta sentimento.
A palavra tem sua vez, seu glamour, quando escrita irradiando desejo coletivo ao ser grafada na imprensa ou nos murais, ou excitando de per si aquele que a decifra ao ler o resultado de um exame médico, uma sentença ou um telegrama. Muitos veêm na palavra o direcionamento para suas decisões, suas tendências e de seus arroubos de escritor ou de orador, que ora inflama, ora apazigua.
Em literatura menos conceituada, vê-se a palavra de baixo nível, obscena, despertar controvérsias, mesmo assim, a sua vida está no enfoque que ela se propõe e nos seus estímulos.
Em literatura infantil o estilo onomatopaico dá vida sonora a cada sílaba num fonema harmônico de entendimento didático que perpetua em nossa mente, desde a tenra idade.
Na literatura sagrada a palavra é a vida; a vida, é a palavra nos tons proféticos, nos mandamentos e nas parábolas, tão convincentes como que as escritas nos pergaminhos santos.
A palavra é instrumento de transcodificação dos dizeres “emanados” dos espíritos na mão submissa do médium psicografando ditames de vidas de outrora.
Celebramos a palavra nas inscrições e dizeres dos sepulcros, na palavra de ordem das faixas políticas ou de protestos e nas pichações dos grafiteiros.
Garimpamos a palavra segundo sua beleza para uso na dialética dos tribunais e nos foros das argumentações, para enobrecer a rima dos poetas, e no elo laborioso de uma redação como esta que explica a vida da palavra com a palavra viva, empregada para surtir os efeitos vitais nas lucubrações.
A palavra pode ser engalanada para constar nos diplomas, animadas para roteiros visuais, diminutas ou gigantesca para driblar os incautos com seus fins sutis. A palavra é escrita e direcionada a alguém, portanto vivencia e aguça todos os alfabetizados tanto por leitura ótica como por tato do método Braille.
A palavra é viva. Viva, a palavra nos modifica, clareia nossas emoções, atende aos nossos anseios, apaga a nossa voz, ressuscita a nossa memória, interage com nossos sentidos, e, ao fazer simbiose com nossa vida, é eterna enquanto ortográfica no jazigo, e efêmera enquanto fonética no adeus.
Biográfico
CARLOS ALBERTO LOPES DE SOUSAEngenheiro, escritor, membro efetivo ocupante da cadeira nº 13 da
Academia Cabo-friense de Letras, fundador e ex-presidente da
Associação Cultural Tributo à Arte e à Liberdade, membro efetivo, fundador e presidente de honra da Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências, ocupante da cadeira nº 01 cujo patrono é seu pai, membro do Conselho Municipal de Cultura de Cabo Frio. Nasceu em 1º de junho de 1947 na cidade de Cabo Frio, mas foi registrado no Rio de janeiro onde seus pais Hermenegildo Medeiros de Souza e Alice Lopes de Souzaforam residir por imposição de emprego. Casado com a professora Silvia Maria Rodrigues de Sousa é pai de Silvana, Carlos Alberto Junior e Vanessa.
Este cabo-friense e cabista de coração, ainda estudante em
São Paulo, fundou em 1972 com a abnegação do chefe de escoteiro JoséHenrique, com o apoio do então prefeito Antonio Castro e do presidenteda Câmara vereador Alair Corrêa, o GAIC - Grêmio Atlântico deIntercâmbio Cultural, uma sociedade cultural filantrópica voltada para a ação comunitária e intercâmbio de todas as formas regionais de
cultura, em Arraial do Cabo.
Ainda na sua trajetória, o escritor coordenou com o professor Affonso Santa Rosa a Antologia Cabo-friense, com cinqüenta e três autores da Região dos Lagos com poesias contos, crônicas e trovas e a coluna literária Mutirão Cultural no Jornal da Região.
Publicou o livro “Devassa no Outono” em 1985, ficção policial
roteirizado em Cabo Frio e o conto “Valor do Texto” publicado na Antologia Cabo-friense. Está escrevendo o romance “Philomena foi à Guerra” para lançamento em 2008. Como autor dramatúrgico escreveu aspeças: “Sapato Novo”, encenada no Rio de Janeiro em 1987 en Clube
Santa Helena em Cabo Frio; “Três Pontos Excitados” encenado noTeatro Municipal de Cabo Frio; e, “No Reino da Corruptela que Mela”, um ensaio infanto-juvenil aguardando produção.
Adaptou e produziu a peça “Carnaval de Sereias e Vento” de Hilton Massa com o diretor Frederico Araújo, cujo espetáculo inaugurou o Teatro Hilton Massa, no Tamoyo Esporte Clube.
Amante das artes, em especial do teatro e da literatura, fundou com Yuri Vasconcellos e outros jovens a TribAL, uma comunhão tribal de todas as artes.
Impulsionado pelo chamamento de alguns intelectuais de Arraial do Cabo, o escritor, antólogo e empreendedor cultural, coordenou e foi relator da academia cabista de letras, uma agremiação ampla para literatos, artistas e cientistas mantenedora de um centro de estudos e pesquisas para manter jovens da comunidade imbuídos do dever cívico,
ético e do crescimento intelectual e acadêmico.
É fundador da Companhia teatral NOVO TEMPO.
Atualmente é fundador e presidente da ArtPop Academia de Artes de Cabo Frio, fundada em 2007 com setenta e quatro artistas resgatando o espaço e realizando um sonho de um fórum permanente da arte discutida numa social academia.
calbertoysousa@gmail.com