Deitei ao teu ladoDeitei ao teu lado meu lado outroTeu corpo refletia o espelho de mimQuis abraçar o fogo e as águasSó a ternura foi nosso manto e sudárioDeitei ao teu lado o meu estrondo cansadoTeu silêncio como brisas desenhava o risoQuantas margaridas renasceram em ti?Quantos girassóis iluminaram meus sonhos?Deitei ao teu lado como uma palavra tênueO poema mimetizava-se no fogo da tua de ...
Deitei ao teu ladoDeitei ao teu lado meu lado outro
Teu corpo refletia o espelho de mim
Quis abraçar o fogo e as águas
Só a ternura foi nosso manto e sudário
Deitei ao teu lado o meu estrondo cansado
Teu silêncio como brisas desenhava o riso
Quantas margaridas renasceram em ti?
Quantos girassóis iluminaram meus sonhos?
Deitei ao teu lado como uma palavra tênue
O poema mimetizava-se no fogo da tua derme
Li cada poro como uma estrofe rimada
Decorei teu suor no livro aberto da minha alma
Deitei ao teu lado o cosmos infinito de mim
Estrelas, asteróides e planetas o nosso lençol
Não voltamos tão facilmente da odisséia divina
Não demos desculpas nem endereços, fomos nós.
Deitei ao teu lado e deitastes em mim tua essência
As sombras exilaram-se no cair da tarde
A noite abriu as portas do nosso cativeiro
Prisioneiros de nós aceitamos a nossa sentença de amar.
Flavio Pettinichi julho 2009BIOGRAFÍA:
Flavio Dario Pettinichiminha BiografiaQuem terá a coragem de escrever minha biografia?
Existirão cirurgiões de mistérios e murchos girassóis?
Quem abrira e extirpará o medo dos futuros e das ondas?
Nascerá o especialista que ascenda os trovões e as primaveras?
Quem estará de joelhos semeando as palavras esparsas?
Terá meu biografo no sangue os elementos?
O fogo da ternura, a água das saudades, o ar da caridade?
Será terra o amor de quem descubra minha matéria?
Dentre os meus biógrafos eu quero:
Um maluco bem careta de desejos
Um sacristão bêbado de trementina
Uma prostituta que amamente o nascimento
Da manhã
Um mendigo analfabeto de misérias
Uma professora do silêncio e de prantos
Um jornalista cego de mentiras
Uma mãe nua e sem abismos virginais
Se assim não for, não percam seu tempo
Minha poesia é despida e desmedida de pudores
Minha poesia rasga a geografia com uma faca cega
Minha poesia apenas é a puberdade do que não fenece.
Flavio Pettinichi- 2009flaviopettinichi@click21.com.br