SER POETA...É abandonar palavras no papel,palavras sem cor.Subvertidas em poemasDe amor e ou de dor.É buscar lá no fundo uma palavra que rimaE, que lamenta essa dor...... de ser e está só, só em si mesmoSó no mundo.É te beijar com as palavras.É ter uma alma que choraÉ ter o olhar perdido,Que busca alg[o]uém que se foi emb ...
SER POETA...
É abandonar palavras no papel,
palavras sem cor.
Subvertidas em poemas
De amor e ou de dor.
É buscar lá no fundo uma palavra que rima
E, que lamenta essa dor...
... de ser e está só, só em si mesmo
Só no mundo.
É te beijar com as palavras.
É ter uma alma que chora
É ter o olhar perdido,
Que busca alg[o]uém que se foi embora.
É querer voltar sem nunca ter ido.
É trazer na mão um violão.
No peito melancolia
Na boca uma canção.
É fazer ecoar no silêncio das madrugadas frias,
Odes a paixão, desejo e solidão.
É ser triste, ter os olhos no mar.
E, o mar no olhar.
Ser poeta é ser a própria poesia.
LUA DE [DA] MEL
O Mel é da lua
A lua é da Mel
É da Mel também o dia
O dia é do Sol
O Sol é do dia.
É da lua a noite
Noite de antes
Sol de depois
Sol e lua dos amantes
Amantes como nós dois.
Eu como a luz a buscar-te
Tu como a sombra a fugir-me
Lua e Sol. Como se amar
Sem se encontrar?
Lua e Sol no céu.
A distância eclipsando.
Não mais o doce mel
Agora oculto o sol.
Amargo fel.
Repouso no horizonte
Adormeço pensando...
...Amanhã, te ofuscarei com o lusco-fusco
do crepúsculo.
no rosto,um riso não mais que um trismo.
Desperto p\'ra mais uma aurora.
Vejo que foi embora.
Anseio por um ocaso
de novo a noite
de novo te vejo.
Glamourosa na imensidão.
Rendo-me ao teu fulgor,
Lembra-me uma esfera de sombra
Um coração sem sangue
Em seu manto de escuridão.
Trago de novo o dia
fluorescência, esperança, ausência.
Pauto de medo, puto de luz
trêmulo de desejo
louco de amor.
BRANCURA
Flagro-me com a caneta na mão.
E, a olhar perdido o papel,
essa brancura, essa imensidão.
Onde estás inspiração?
Quero te sentir novamente.
Pensar e me perder,
me perder e te encontrar.
Emerge, mesmo que por um instante.
Mesmo que seja recordações silentes.
Sei, que é culpa dos meus tristes
e maus fados.
Vem, mesmo que por uns instantes.
Quero te sentir agora.
Assim como sinto, da brisa matutina,
o seu bafejo cálido e lírico.
Leva-me para as bandas do embora.
Leva-me para lá.
Esqueçamos o que ficou de cá.
Breve só restará uma lembrança,
uma vaga lembrança...
... Do êxtase que foi ter estado aqui
no paraíso, paraíso é estares desfeita,
cabeleira no meu colo.
É, também, desabrochar o pulso e desejar ir.
Para também pensar,
pensar e se perder.
Sonhar e esquecer,
a dor que já senti.
Para de bater peito meu,
tô nem aí para ti.
Sei que valeu ter vivido
o que vivi.
Só quero agora,
refugiar-me lá p\'ras bandas
do embora, macular a brancura
como fiz outrora.
Ter no meu refúgio de insânias
e insanos sonhos de desejo.
Desejo, de menino, realizado
num simples lampejo.
biografia:
Paulo Tácito de Oliveira, Goiano de Céres, vive em Brasília desde 1962, atualmente Jornalista e empresário, já exerceu a Odontologia por dezesseis anos. Escreve sem pretensões para revistas, jornais, agências publicitárias, assessoria de imprensa, internet, e faz também, fotojornalismo. Participa de exposições e workshop de fotografia. Tem contos, poemas e crônicas publicadas em vários jornais e revistas. Também professor de Técnicas de redação e produção de textos publicitários e jornalísticos.
paulotct@gmail.com