Meu filhoJandyra Adami Quando te notei em mimEras menor que a cabeça de um alfineteEntretanto, já fazias parte do meu serRespiravas a minha respiraçãoAlimentavas-te através do meu sangueSentias bem de perto o bater do meu coraçãoAqui de fora eu também sentia o teuAos poucos foste crescendo,E com isto transformando meu corpoNuma modificação gloriosaPois nada se compara ao corpo sem curvas ...
Meu filhoJandyra Adami Quando te notei em mim
Eras menor que a cabeça de um alfinete
Entretanto, já fazias parte do meu ser
Respiravas a minha respiração
Alimentavas-te através do meu sangue
Sentias bem de perto o bater do meu coração
Aqui de fora eu também sentia o teu
Aos poucos foste crescendo,
E com isto transformando meu corpo
Numa modificação gloriosa
Pois nada se compara ao corpo sem curvas
De uma mulher grávida.
Sem te conhecer eu já te amava
Sem saber se eras menino ou menina
Escolhia nomes para teu Batismo.
Durante oito meses ficaste comigo
E só eu tinha a dádiva de sentir-te,
De saber que existias, com todos os reflexos
da vida que terias, tu me chutavas,
batias com as mãozinhas em meu ventre,
que com muito carinho te guardava
Estavas protegido de todos os perigos
Pois somente eu tinha acesso ao teu corpinho.
Através das mãos que te acariciavam
aqui do lado de fora
Para os outros eras um sonho...
Parte de tua vida em mim ficaste sentado
Era difícil aguentar aquela dor diferente
pois quando mexias, minha barriga toda doia
Por confusões de sangue, negativo e positivo,
Tiveste que deixar o teu troninho
Pois eras meu Rei mesmo antes do nascimento
Parto cesariana, chegaste chorando como tem que ser
Eu não te vi pois dormia, e este prazer quem teve primeiro
Foram as pessoas que mais te amaram depois de mim:
Papai Antônio e Vovó Geralda
Eras tão pequeno meu filho, com oito meses apenas
Uma transfusão de sangue, um susto grande para nós:
Tiraram todo teu sangue para que pudesses viver
Ficaste na encubadora por cinco dias
Mas, desde o começo, ias ao quarto para mamar
Sugavas meu seio com tanta força que eu pressentia:
'este menino vai ser muito grande e guloso também'
E assim aconteceu, o milagre da vida, a tua vida...
E depois, com o correr do anos, eu posso dizer
sem medo de errar: valeu a pena tudo que passei,
todos os exames que fiz na gravidez , as horas de
medo, de angústia, tudo foi muito pouco
pois tu és tudo aquilo que imaginamos,
que pedimos a Deus: saudável, humilde,
bom filho, amigo, bom tudo.
És belo e forte. Tua grandeza de espírito,
tua generosidade, teu caráter, medem tanto quanto tu
1.90 de bom marido, bom pai, bom filho, repito.
Que pena a vovó ter partido antes de conhecer tua família?
Obrigada Júnior por teres escolhido meu ventre
para teu renascimento
Obrigada meu Deus, pelo presente de tê-lo consentido...
DevaneioJandyra Adami Um vulto aparece
Entre a cortina e a janela
Corro para ver
Se te encontro
mas não estás
Somente uma sombra
que veio da rua
para aumentar minha solidão...
Tua ausência me aflige.
Chego a perder a razão...
Que fazer para te esquecer?
Mais uma noite de insônia
pensando em minha vida.
Onde poderei te encontrar?
Volto ao meu só...
Devaneio
Volta... 'Menino Feio'...
Jandyra- 24-06-2.001NAQUELA PRAIAJandyra Adami Naquela areia úmida da praia
Ficou a marca do meu corpo
Quando a ti me entreguei...
Não era apenas uma marca para se ver
Era mais uma história para contar
A vida inteira guardei meu corpo para ti
Por certo, nem percebeste a emoção,
o prazer que eu sentia em poder dedicar a ti
o que de mais puro havia em meu ser,
além do amor que também era só teu...
Será que percebeste minha pureza?
Será que, antes de mim, outra virgem possuíste?
Não vi nenhuma emoção em teus olhos...
Não senti pelo menos o palpitar de teu coração
Enquanto o meu em disparada,
quase não me deixava respirar .....
Foi tanta emoção...tanta!!!
Aquela marca na areia
a água do mar levou,
mas em meu coração, em minha mente,
ela jamais foi apagada...
Ali, naquela praia deserta,
Eu te dei a minha vida
Ali deixei o meu amor...
Jandyra Adami- 26- junho-2003O menino e as rosasJandyra Adami Quando saio para minhas caminhadas, parar numa rua com amigos, sentar num banco qualquer, eu vejo a figura de um menino, muito loirinho, cabelos encaracolados, olhos verdes, brilhantes, demonstrando uma inteligência privilegiada.
Presto muita atenção no que faz, no que fala e as vezes tenho vontade de conversar com ele. Seu nome é André.
Ele vende rosas. Tem sua clientela feita mas, mesmo assim, entra nos bares, vai para o sinal de trânsito, a fim de vender o seu produto. Fica à porta da Igreja, enfim, ele roda a cidade.
As vezes chego mais perto e escuto o que ele diz:
- ' Uma rosa, meu amigo, ou um botão, para levar a quem te deu a vida, tua mãe querida...'
Não há quem resista ao charme do garotinho e à maneira com que fala, com desenvoltura e com a voz muito firme.
Ele almoça por onde está quando lhe dá fome. Um dia, estava comendo e eu me aproximei:
- Oi garoto, que belas rosas tem em mãos. Você vende todas, todos os dias?
- Oi senhor...tudo bem? Não, eu não vendo todas todos os dias. Tem dia que os fregueses estão mal humorados, não me deixam nem falar. Pensam que eu vou pedir esmola, sei lá o que vai naquelas cabeças cheias de ódio.
-Por que ódio, André ?
- Pela maneira com que eles respondem, vejo que estão com raiva da vida, com raiva de tudo, até de mim que acabo de chegar.
-Problemas em casa, com certeza. Briga com a namorada, com a esposa...
- Pois é. Se ao menos um me ouvisse, teria uma boa chance para fazer as pazes, abrir os corações, agradar á quem ofendeu. Eu ofereço a rosa e eles nem percebem que está ali o começo da paz. Quem oferece rosas está querendo agradar a outra pessoa. O senhor não acha?? Eu acho sim André. A natureza nos deu coisas tão lindas e as pessoas, neste corre corre da vida, nem se dão conta do que podemos usufruir dela.
- Péra aí, deixa eu ir lá vender uma rosa para aquele moço que parou ali.
Parece que está esperando por alguém.
E lá foi André correndo a fim de conseguir mais um freguês.
-Oi moço, tá esperando alguém? Compre uma rosa para seu amor, assim, quando ela chegar você terá em mãos um belo presente.
- Não meu pequeno vendedor... eu não estou esperando meu amor. Estou esperando meu pai para irmos almoçar em casa.
- Que bom que o senhor tem pai. Ele é bonzinho?
- Claro que é. Por que, o seu não é?
-Eu não tenho pai. Vendo rosas na rua para ajudar minha mãe. Ela não pode trabalhar e eu sou o filho mais velho. Meu pai morreu faz tempo. Eu queria muito ter um pai para esperar por ele, todas as tardes, na porta do nosso barraco.. Minha mãe é muito boa mas acho que um pai deve ser uma pessoa muito importante na vida da gente...
- É sim...Muito importante. Sabe o que vou fazer? Vou comprar uma rosa sua para dar ao meu pai.
- Oba!!! seu pai vai ficar muito contente moço.
André voltou para acabar de comer. Sua comida já estava fria mas ele não se importava. Seus olhos brilhavam de felicidade por ter vendido mais uma rosa.
- Quanto custa cada rosa André? perguntei
- O amor não tem preço senhor. A pessoa dá o que quiser. A rosa significa o amor que uma pessoa sente pela outra. Quem dá fica muito mais feliz do que quem recebe. O senhor já recebeu uma flor de alguém?
-Hummm!!! Deixe eu pensar...Acho que não. Nunca recebi. Mas sempre ofereço.
- E o senhor não fica feliz em oferecer amor aos outros?
- Sim, fico muito feliz. Todas as vezes que dou flores, meu coração se enche de alegria porque as pessoas também ficam felizes. Você tem razão André, quem oferece fica muito mais feliz.
-Bem...deixa eu ir andando um pouco senão as flores murcham, o pessoal passa e eu não vendo tudo.
E assim começou minha amizade com o vendedor de rosas, o pequenino André, cuja inteligência ultrapassava o limite do que poderíamos esperar de uma pessoa sem estudos, morando numa favela, sem estudar e sem conforto.
Dias, semanas, meses, a gente se encontrava, batia um papinho sempre que possível.
Uma ocasião eu estava parado na esquina, conversando com amigos, e uma ambulância passou, como sempre, voando, para atender alguém. O local não era longe. Fomos todos para ver o que tinha acontecido.
Lá chegando...oh! Deus, que tristeza.. orri para perto. A polícia não queria me deixar passar. Eu empurrei todo mundo Vi esticado no chão, o corpinho franzino, o cabelo loiro e encaracolado, os olhos verdes ainda abertos, o meu querido amiguinho vendedor de rosas. Ao lado, algumas rosas espalhadas, perto de sua mão...
Agachei e senti que André já estava morto. Que emoção meu Deus! Como vou ficar sem o meu amiguinho vendedor de flores?
Antes que alguém colocasse os jornais cobrindo o corpinho de André, eu o beijei e coloquei sobre seu corpo, todas as rosas que restaram, naquela tarde fatídica quando ele foi atropelado e morto pelos animais que dirigem no nosso trânsito louco.. Aquelas rosas demonstravam o meu amor por ele, como ele mesmo me ensinou: '- Dar rosas é dar amor, o senhor não acha?'
Tratei de tudo.. Levei André para casa, depois providenciei o sepultamento.
Os dias passam, vamos vivendo conforme Deus quer.
A saudade é constante. Mas...todos os dias eu converso com meu amiguinho... vendedor de rosas...
Como? Olhando a natureza... Eu vejo André nas nuvens, naquele passarinho que chega quase perto da gente, nas borboletas que as vezes rondam nossa janela., nas frutas que vejo nas árvores e principalmente nas rosas que vejo nos jardins.
Eu o vejo num cãozinho que se enrosca em minha perna e me olha como que pedindo alguma coisa.
Toda natureza me traz André de volta.
Toda semana, vou visitá-lo e levar amor para colocar em cima de sua cova.
Muitos amores, de todas as cores, como ele gostava de vender.
-'Oi moço, vai levar uma rosa para sua querida?'
Parece que ouço esta frase quando vejo um garotinho chegar perto de um carro para esmolar ou vender alguma coisa.
É a força da amizade e do amor que me traz, quase toda hora, o meu loirinho, meu adorado 'filho', no plano espiritual do amor, adotado por mim e por todos que sabem da minha história...
N..A.- Não esqueça de oferecer amor à quem você gosta enquanto há tempo.
BIOGRAFIA
JANDYRA ADAMI - Nasci em Santa Rita do Sapucaí - sul de Minas Gerais em 4 de novembro de 1.937. Filha de Rodolpho Guerino Adami e Geralda Costa Adami .Comecei a trabalhar na Coletoria Federal em Lambari, depois Nepomuceno, Cidade Industrial de Belo Horizonte e depois na Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte como Auditora Fiscal da Receita Federal.
Para que me conheçam melhor, transcrevo, abaixo, uma homenagem que o jornal Calafatos, de Belo Horizonte, me fez, em 1.998.
GENTE NOSSA Nossa homenageada tem sua raízes esculpidas na cidade de Santa Rita do Sapucai, Ela é Jandyra Adami Neves de Carvalho. Jandyra, filha de Rodolfo Guerino Adami e Geralda Costa Adami, iniciou a sua vitoriosa caminhada pela vida em 04-11-..... Foi também em Santa Rita do Sapucai onde realizou os seus estudos, os quais fizeram dela a pessoa culta, criativa e sapiente que hoje é. Assim como nos estudos, obteve invejável sucesso em sua carreira profissional, iniciando-a em 1.957, quando tomou posse como Auxiliar da Coletoria Federal de Lambari. Já em 1.963 transferiu-se para Nepomuceno e, posteriormente, para Belo Horizonte, onde trabalhou na Cidade Industrial. Mais além trabalhou na Delegacia da Receita Federal, destacando-se como competente Auditora Fiscal do Tesouro Nacional.
Em data de 25/01/64, em sua terra, Jandyra casou-se com Antônio Neves de Carvalho, reconhecido advogado de nosso Estado, nascido na cidade de São João del Rei. Desta união Deus a presenteou com um único e maravilhoso filho, de nome Antônio Neves de Carvalho Júnior. Dizem os amigos mais íntimos de Jandyra, que o filho, escritor, Engenheiro Civil e Professor da Escola de Engenharia da UFMG é o verdadeiro diamante de seus sentimentos, dando-lhe, inclusive, o neto Bernardo, que conta hoje com dois anos e meio de idade.
Ao tempo em que Jandyra residia em Santa Rita do Sapucai, linda flor que desabrochava com todo o esplendor de sua mocidade, apresentava-se em desfiles, representando sua cidade em concursos de elegância, de caráter beneficente. Foi ela vencedora do concurso Embaixatriz do Turismo realizado na cidade de Lambari, o que fê-la representar a cidade em Poços de Caldas, destacando-se como finalista ente as sessenta e quatro candidatas inscritas pelos Estados do Rio, São Paulo e Minas Gerais.
Ressalte-se que Jandyra não ambicionava quaisquer exibicionismos, desfilando com o intuito de colaborar com os promotores de festas e, na maioria das vezes, para ganhar a roupa do desfile, pois, por moça pobre que era, somente assim apresentava-se mais destacadamente na sociedade que sempre frequentou e a acolheu.
De religião católica, tem como seguimento de preferência esportiva, torcer para o Cruzeiro Esporte Clube... Jandyra, fantástica escritora e poetisa, faz parte da Academia Santarritense de Ciências e Letras, fundada em 28/09/85, da qual foi Presidente. É colunista social do jornal Vale da Eletrônica, defendendo com muita elegância e simpatia a coluna denominada: “ Fala...Beagá...” , através da qual dá ciência de tudo o que se passa com os seus conterrâneos radicados na Capital.
De espírito altruista, há quarenta e dois anos Jandyra trabalha, com a colaboração de amigos, arrecadando donativos para as crianças carentes e idosos de sua “santa terrinha”: Asilos, APAE, Creches, Casa Nossa Senhora do Carmo, e outros.
Na figura de escritora e poetisa, Jandyra doou à sociedade os seus ricos conhecimentos, tendo publicado três livros: “Rosas e Espinhos”, em 1.981, “ Passarela da Vida “ em 1.993 e “ Para Todos os Momentos”, em fase de lançamento...
Tem como praxe em sua rotina de vida a leitura, ver novelas e ouvir a Rádio C.B.N., para estar inserida nas notícias do dia a dia... Seu “hobbie” é fazer compras e presentear os amigos. Enche-se de felicidade quando consegue fazer alguém feliz. Confessa que adora morar no Calafate, pois,, assim como o Prado, é um bairro muito semelhante à uma cidade do interior, onde as pessoas se relacionam com amizade sincera, curtindo visitas, caracterizando um ambiente bastante familiar. É admiradora do “CALAFATOS” e quando não o recebe, manifesta a sua contrariedade e ansiedade através de telefonemas a seu Diretor. Jandyra é saudosista e gosta de ouvir músicas do seu tempo, dizendo que as músicas da atualidade não têm mais aquele encanto das antigas, dos “Anos Dourados”, tanto na letra como na melodia. Entende que há muita apelação. Sempre que lê uma crônica no jornal, que desperte a sua sensibilidade, não mede esforços para elogiá-la, eis que acredita que um elogio sincero não nos custa nada e enriquece e anima o elogiado merecedor...
jandadami@gmail.com