PERFIL Quem poderá prever meus passosSe vivo do frágil equilíbrioDos descompassos que há em mim? Sou o previsível, a transparênciaSou o inesperado, o mistério Sensata e ponderadaInsana e tresloucada Sou a santa e a maldadeSou ira e mansidão Luxúria e inocênciaPreguiça e labuta Sou a flor da peleSou paradoxo, hipérbole, tempestade O código secreto, eternoguardião da palavra que ficar ...
PERFIL Quem poderá prever meus passos
Se vivo do frágil equilíbrio
Dos descompassos que há em mim?
Sou o previsível, a transparência
Sou o inesperado, o mistério
Sensata e ponderada
Insana e tresloucada
Sou a santa e a maldade
Sou ira e mansidão
Luxúria e inocência
Preguiça e labuta
Sou a flor da pele
Sou paradoxo, hipérbole, tempestade
O código secreto, eterno
guardião da palavra que ficará calada
Sou avareza e prodigalidade
Sou vaidade e desleixo
A inveja e a indiferença
A gula e o jejum
Sou minhas delicadas certezas
Sou a tortura de eternas indagações
O sal da lágrima
O doce sorriso da infância
Sou os equívocos e enganos
Dos caminhos que trilhei
Pecado e excomunhão
Virtude e absolvição
Sou a doida no divã
Anjo e leviatã
Se fui o princípio e constituí “Pra sempre!”
Posso ser o final e reinventar “nunca, jamais!”
Sou o “agora”, o grito de libertação!
Sou o oitavo pecado capital!
CONTRAPONTO Em todo fel há sempre
um sutil sabor de mel
Quando conheci a dissimulação mais sórdida
edifiquei pontes sobre abismos de silêncios
Se bebi horizontes de esperança
embriagando-me com sonhos e delírios
despertei de ressaca ao som dos atabaques
da urgente realidade
Quando atravessei desertos de desesperança e
conheci o significado da palavra “desamparo”
não conjuguei o verbo “abandonar”
busquei forças esquecidas
para recomeçar
Se cometi enganos, erros e desatinos
não sentei no banco dos réus e
não aceitei ser julgada por iguais a mim
Quando vivi a pressão mais violenta
a tortura mais insana
mergulhei no trabalho para
despistar a loucura
Se visitei minha noite mais escura
travando duelo com as trevas
foi para vestir de luz minhas novas alvoradas
Quando nada foi quando ou
como quis, aprendi a mudar o curso
do rio das minhas vontades
E ainda assim:
nunca consultei um analista
considero Freud um tarado
sonho acordada
fico parindo poemas de madrugada
pouco me importo com o que pensam de mim
deixo-me arrebatar de amor pela vida
sorrio, pinto, canto, recito
me desfaço e refaço
desintegro e integro
morro e renasço
a cada manhã.
ENIGMASO décimo arcano maior
as pirâmides do Egito
os fenômenos mediúnicos
a glândula pineal
Maria Madalena
o sagrado feminino
o Santo Graal
o acidente que matou
Lady Diana
o sexto sentido
a vida secreta de Jesus
José de Arimateia aos
pés da cruz
teoria da conspiração
anagramas, hieróglifos
revelações esquecidas
enigmas indecifráveis
são os silêncios de
tuas eternas despedidas
Biografía:
MARCIA MATALicenciada em Letras pela UNICRUZ. No ano letivo de 2008, fez parte do corpo docente da Escola Venâncio Aires e da Escola de Ensino Médio Cruz Alta, em Cruz Alta, RS. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira e Língua Portuguesa. Cursando especialização em Linguistica, Ensino de Línguas e Literatura na Universidade de Cruz Alta. Possui cinco prêmios literários no gênero crônica. Atua como voluntária na atividade de Coordenadora de eventos da Associação Artística e Literária 'A palavra do século XXI' [ALPAS XXI]. Artista plástica e autora de duas capas para as coletâneas 'Entrelinhas' e 'Somos Letras', da ALPAS XXI.
Marcia Mata -
marciafriggi@gmail.com