ReciprocidadeQuero costurar-me à tua pelee tornar-me tua substância interna,líquido que alimenta e penetra.Costurar-me e pertencer-tede forma que sequer percebasnem precises escolher recusarporque de oferta de amorem estado bruto e purose trata.Costurar-me em pontos pequenosapertados e escondidospontos que te atiçem os nós dos dedos,para que possas um diapossuir a própria costurae costurar-t ...
ReciprocidadeQuero costurar-me à tua pele
e tornar-me tua substância interna,
líquido que alimenta e penetra.
Costurar-me e pertencer-te
de forma que sequer percebas
nem precises escolher recusar
porque de oferta de amor
em estado bruto e puro
se trata.
Costurar-me em pontos pequenos
apertados e escondidos
pontos que te atiçem os nós dos dedos,
para que possas um dia
possuir a própria costura
e costurar-te, como oferta,
que nem aceito nem recuso
porque de amor
em estado bruto e puro
se trata.
A palma da minha mão
desdobra-se para recolher os teus dedos.
Fecho-a e descubro-a vazia:
os teus dedos sempre me escapam.
Consigo guardá-los nos olhos,
e assim eles me acompanham,
mas as minhas mãos se ressentem
pois também querem os teus sentidos.
Penso em recolher-te de outra forma,
mas de qualquer uma que imagine me escapas.
Não sei se insisto, se desisto,
ou se guardo os gastos chavões
para me fazerem companhia à noite,
quando os teus dedos me invadem e encobrem
as saudades absurdas que sinto dos teus olhos.
biografia:
Ana VenturaPortuguesa de nascimento, mãe de sete filhos, professora de literatura, apaixonada por definição. Em busca do outro pelos caminhos ainda não percorridos, em dúvida da própria verdade.
Decidiu publicar parte de seus poemas num blog [www.seroutro.blogspot.com] sempre na dúvida e na procura da recepção de sua poesia.
ventuana@gmail.com