Desabrochar para as palavrasPor Claudia GomesSinto-me flor constantemente.Delicada, rosada, circunspecta,As mãos maciasE os olhos molhados de orvalho.Sinto-me crescerEm estado de efusãoSe me tocam os meios-Que as flores suspiram e tremem se lhe acarinham-O caule verde e vitalícioPrende-me sempre a terraEnquanto as pétalas procuram o céu.Minhas pétalas vivenciam cada noite.Cada dia mais conve ...
Desabrochar para as palavrasPor Claudia GomesSinto-me flor constantemente.
Delicada, rosada, circunspecta,
As mãos macias
E os olhos molhados de orvalho.
Sinto-me crescer
Em estado de efusão
Se me tocam os meios
-Que as flores suspiram e tremem se lhe acarinham-
O caule verde e vitalício
Prende-me sempre a terra
Enquanto as pétalas procuram o céu.
Minhas pétalas vivenciam cada noite.
Cada dia mais convencida
Desabrocha sempre um pouco:
Um forçar de olhos para olhar as estrelas.
E cada vez mais aceita
Vou vendo palavras em anos-luz pelo universo.
Abro então minhas pétalas
De assombro e aceitação:
Um abraço.
Até o amor acabar- Para Ninguém, que fique claro -
Por Claudia GomesMeu exagero por você acaba aqui.
Agora só amor regrado, amor aos pouquinhos.
Se quiser um tantinho mais me peça, insista, mendiga.
Agora só amor aos poucos, amor contido, amor poupado.
Que amor deve cansar.
Amor deve dar uma canseira nos músculos da alma.
O vai e volta contínuo das paixões árduas, exacerbadas, desesperadas e empavonadas confunde-lhe a cabeça e os olhos.
Preferes que eu pare.
Que eu me contenha.
Que eu não me solte.
Que eu me enjaule.
Preferes que eu me controle como um inglês.
Como um humano, social.
E não me liberte com o instinto da paixão.
Paixão é animalesca.
Preferes o plácido.
Mais que paixão, amor.
E por amor te faço e satisfaço esse pedido.
Quero ver se agüentas depois de pronto.
Meu silencio, minha cara de plástica, meus sorrisos.
Meus gemidos calculados, meu orgasmo mutilado.
E vai assim.
Presa não vivo.
Então aviso:
É só até o amor acabar.
E aí vou me libertar nos braços de outro!
O rato abstrato[Infantil]
Por Claudia GomesO abstrato
É a moça
De fino trato
No alto
Do longo salto
Com a blusa
De um retrato
De um fofo
E amarelo
Pato.
E a moça
De fino trato
Segura recato prato
Sem pão ou trigo
[com alface e mato]
Quando passa
Por perto um rato
Pulando
Como se fosse sapo
Enrolando
Dos homens
O cadarço.
E a moça
De fino salto
Lá do alto do sapato
Perde o prato
E o recato
E pra cadeira dá um salto
Em visível embaraço.
Mas rápido passa o rato
Que de brinquedo
Era um trapo.
biografia:
Mini Biografia:
Claudia Gomes 1984 - Nasci em Vila Velha, Espírito Santo, filha de pais simples e religiosos. Era estrábica.
1989 - Nascia meu único irmão e eu entrava na escola. Sofria muita discriminação por causa da religião de meus pais e comecei a me afastar das pessoas. Também, em casa, não tínhamos meios de comunicação quaisquer.
1990 - Operei a vista. Aprendi a ler e descobri o prazer da leitura nos livros.
1992 - As idéias surgiam e eu começava a escrever contos. Não ficavam muito bons, mas eu rasgava e começava tudo de novo.
1994 - A escola me homenageava por tanto ler. Eu era um ratinho de biblioteca e começava a descobrir o prazer de escrever poesias.
1997- Comecei a contar historias na própria escola onde eu estudava. Fui vista por um livreiro que ia entregar livros na biblioteca e comecei a contar historias para outras escolas também.
2004 - Parei de trabalhar com literatura para ser bancaria. Sofri assedio moral e entrei em depressão profunda. Parei de estudar e trabalhar.
2006 - Ainda depressiva retornei a arte. Comecei a fazer teatro, ganhei dois prêmios literários, ganhei minha primeira lei de incentivo para Mariazinha em verso e prosa.
E dai não parei mais. Hoje estou bem, e Mariazinha já esta ate nas escolas do Rio de Janeiro! Mariazinha recebeu criticas positivas de sites especializados em Brasília e São Paulo e tem tudo para crescer e tomar o Brasil!! :] Ate o final do ano será impresso Sarau da Mariazinha, um livrinho de poesias infantis com ilustrações da personagem.
http://poesiaaosgritos.blogspot.comclaushangomes@hotmail.com