A SAGA DO NORDESTINO POBREO destino do nordestino pobre ao próprio inferno se iguala:é a cova rasa ou a vala. Se cala morre de fome, se fala morre por bala...Essa gente que imigra pra viver como formiga na favela-formigueiro na bela cidade grande,carrega consigo a sina de ser sempre escravizado, seja pelo patrão ou pelo crime organizado...Pois na cidade-sonho vivem o mesmo pesadelo, como operá ...
A SAGA DO NORDESTINO POBREO destino do nordestino pobre ao próprio inferno se iguala:
é a cova rasa ou a vala. Se cala morre de fome, se fala morre por bala...
Essa gente que imigra pra viver como formiga na favela-formigueiro na bela cidade grande,
carrega consigo a sina de ser sempre escravizado, seja pelo patrão ou pelo crime organizado...
Pois na cidade-sonho vivem o mesmo pesadelo, como operário-escravo:
mesma cara, mesma sede, mesma fome
Como se do amor não nascido, fosse produzido em série - um clone,
mais um brasileiro sem nome, seguindo triste e calado...
Que destino triste, meu Deus! de um povo trabalhador
que lida com a morte e com a vida, com a alegria, com a dor
como o aço sofrendo frio-calor pra ficar bem temperado...
Enquanto a maioria segue sua triste sina, existe um grupelho: a aristocracia nordestina,
que mantém o poder e a inconsciência, preservando essa situação de miséria e indecência.
Como abutres da carniça, se nutrem de quem é pobre
e se intitulando nobre, como na idade média
vão alimentando seu luxo com sangue, suor, horror, tragédia..
Essa gente indecente que da terra extraía sua renda do açúcar, do babaçu, da carnaúba, do feijão
alimentou a seca pra manter a escravidão, e já não vive da terra, hoje explora informação.
A fome é uma violência insidiosa e calada, forja o mal e a doença,
faces da incompetência, não do povo ignorante, mas da classe dominante
que cisma em querer seguir com seu poder e ganância
ao invés de implantar progresso e acreditar na abundância.
A escravidão do povo vai nutrindo a ambição dessa gente de espírito subnutrido e pobre
que com a ilusão de ser nobre, precisa se cercar de luxo pra não se perceber um lixo
e vai espalhando maldade, mantendo a desigualdade.
Hoje ficou mais fácil controlar seu rebanho e o analfabeto, coitado, tem seu cérebro lavado
emprenhado pelo ouvido sem ter qualquer opção.
Influenciado por artista, apresentador de televisão
segue desinformado como se fosse gado seguindo pro matadouro, em silencio, sem protesto ou reclamação.
O doutor ou coronel controla a votação e com o analfabetismo vai vencendo a eleição
que mantém o povo triste, sempre o mesmo desatino
e a aristocracia perversa governando o nordestino.
Seja o agente do crime organizado, coronel ou doutor, analfabeto ou letrado
lhe cabe o direito de ditar sua lei particular - aonde ir, que fazer, falar ou calar
Como`a época medieval, aos pobres cabe a pobreza, o trabalho, o circo, o pão, o carnaval
e nada mais que isso pra manter a situação, senão vira bagunça, pode haver revolução.
Benesses só na medida certa, que a classe dominante é unida e bem esperta.
Assim a ilusão do pobre é mantida, o sonho de melhorar um dia sua condição
ter uma vida decente, teto, comida, chão.
Quem sabe até um estudo, uma carreira, um canudo?
E o pobre imigrante no ônibus ou pau de arara sonha com a cidade grande
sem saber que a escravidão tem seu destino selado - tem a face do patrão e do crime organizado.
Aquele que é mais afoito se achando ser mais sabido, acaba como bandido
continua um Zé Mané, carregando arma na mão, tênis de marca no pé.
Curtido pela bebida ou cheirando cocaína, por bala ou overdose sua vida termina.
E esse povo forte, bom, trabalhador caminha sem conhecer seus direitos, seu valor
E segue pro seu destino de cova rasa ou vala. Se cala morre de fome, se fala morre por bala...
Jane Dias
Do livro”EU, MEUS POEMAS”POESIA, SIMPLESMENTEE a poesia vem assim tão simplesmente
Aos versos, pensamentos dessa gente
E com brilho, plena de fulgor
Fala de raça, alegria, dor de amor.
E encanta a quem atenta e ouve
Nutre, alimenta, embala, envolve.
E o poema vai voando por aí
Como garça, andorinha, colibri
Com graça de bailarina, rodopia, dança
Trazendo luz, trazendo paz e esperança.
E a poesia segue assim o seu destino:
Transforma o que era velho em menino
Vibrando a alma de qualquer idade
Com ideal de amor, de paz, de liberdade.
E o coração que vibra, canta, sente
Espalha por aí flor e semente
A se eternizar nos braços da emoção
A viver de poesia, simplesmente....
A INDIFERENÇA DA DIFERENÇANa noite fria e serena, quando a lua plena ilumina todo céu, aquele que vivia ao léu,
cumprindo sua triste sina, com um tiro de fuzil a sua vida termina.
Tão jovem, tão cheio de vida, de aparência tão forte,
era mais um soldado, um portador da morte.
Quando criança, sem afeto, esquecido, pela mãe abandonado, pelo pai ignorado
cresceu como a planta agreste que encontramos pelo caminho,
sem amor, sem carinho, sem nada.
Tal qual flor por espinhos cercada.
Não lhe ensinaram nada sobre o valor da vida.
Só conheceu desamor, desprezo, incompreensão
e é tratado com indiferença pela sociedade, que busca em poder e posição
a saciedade para preencher o vazio de seu próprio coração.
E pra todas as suas mazelas busca encontrar a droga
que cure, alivie, entorpeça
a vida, a dor, a cabeça.
Vivendo sempre à margem, como se fosse suplente
de alguém com mais direito à vida, ele copia o modelo da sociedade aflita
e vai na sua desdita, sempre em busca de poder, da emoção mais forte,
em aventuras, desventuras, onde a vida se confunde com a morte.
Trabalha no morro, 'assistente' de traficante, como mais um soldado
sentindo-se valorizado dentro da hierarquia do 'crime organizado'.
E a sociedade inconseqüente, no condomínio de luxo,
segue ignorando o carente, como se não fosse gente,
fosse apenas algo que cresce diante de sua janela, na triste e feia favela.
Favela, de onde a sociedade extrai a droga que lhe dá prazer
ou que lhe proporciona a falsa sensação de poder.
Tão falsa como a sensação de quem se acha superior
acima do bem e do mal, olhando com desdém e horror
quem inferior se sente, por ser de classe diferente...
Que diferença tão grande é esta afinal? Se em toda classe social existe a dor,
a doença e tudo que é causado por descrença, desamor, indiferença?
Biografia
Jane Dias, médica, natural do Rio de Janeiro, RJ, Brasil, DN- 29/11/1947
Escrevendo poesias desde 2000, participei de vários concursos literários, recebido alguns prêmios, sendo um dos mais importantes o I° lugar no Concurso Literário da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, e que marcou meu ingresso nesta sociedade em 2004, e que desde 2005 passei a presidir. Em 2005 lancei meu primeiro livro'EU, MEUS POEMAS', na bienal do Livro do Rio de Janeiro. O segundo livro 'AONDE MORA A POESIA?' deverá ser editado em breve.
janeflora@gmail.com