POEMA AZULNelci Nunes O FALADORDedicado a umas 'divisões' de mãe...Rompe de encontro ao vento; ela, de olhar faceiro,Sempre reunindo forças, e; com o sol renasce, não é pose,Labor suave de pensamentos, versos, fábula...Nesta sua recôndita poesia de fina ternura, reúne,Mar, elementos, vozes, brilho; a mãe e o gesto de amar.Tins... Parintins, seu coração é a Festa de Parintins,Dos bois, ...
POEMA AZUL
Nelci Nunes O FALADOR
Dedicado a umas 'divisões' de mãe...
Rompe de encontro ao vento; ela, de olhar faceiro, Sempre reunindo forças, e; com o sol renasce, não é pose, Labor suave de pensamentos, versos, fábula... Nesta sua recôndita poesia de fina ternura, reúne, Mar, elementos, vozes, brilho; a mãe e o gesto de amar. Tins... Parintins, seu coração é a Festa de Parintins, Dos bois, em lugar algum não há, mais enfeitados. Santa festeira, mãe que encanta. É sílaba solta, San... Tosse discreta, caso de se fazer presente, cantos, Tantos festejos, bumbo, tambores, tarol e tan-tan... Nus, anjos, Barroco; mãe valorosa; filhos, anjos nus.
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QUANDO A SORTE VOA
Nelci Nunes O FALADOR
Saio à noite. Ando sem rumo, O casario passa por mim, Segue lento, mal iluminado.
Mordo algumas pulgas, Em busca do tempo perdido, Teria sido mais feliz, Depois do primeiro passo atrás.
Estou sendo fumado pelo tempo, Lembranças monótonas, ruins. Os mortos não sossegam de dia. Viajam cada vez mais vivos, Entre um silêncio e outro.
Aqui é proibido fumar. Este depenado companheiro, Solidário, traga-me aos poucos. Viajo escondido na sua fumaça, Incrédulo, desapareço em plena luz diurna... ______________________________________
ESTAÇÃO ELÉTRICA
Nelci Nunes O FALADOR
Esta música que vem de fora, Som de antigos negros felizes, De brancos com alma negra.
Ela emociona, Provoca arrepios, De vez em quando, [Furtivas lágrimas...
Basta ouvi-la, Em pouco tempo, Estará dançando, extasiado...
O aparelho de som, Terá o seu volume elevado, Provocando escandaloso pico de euforia.
Sem estilo definido pra dançar, Basta o movimento de qualquer jeito, Eis que a magnífica dança desconjuntada está pronta.
É a Velha Escola do Funk. Alegre, despreocupada, eletrizante. Embalado, você não percebe o quanto, [Este ritmo contamina...
POEMA DESCONEXO INCOERENTE
Lençol franzido; fagulha de sono perturbado, rapa de segunda. O aristocrático horário político recomeça na malfadada terça. Banco de horas excessivo; sem retorno, tediosa quarta. Corre cheiro de dinheiro, cesta do básico; salário duma quinta. A última bebedeira consciente da semana acontece na sexta. Religioso excomungado cumprimentando suas últimas no sábado. Miséria pessoal; frango assado, ninguém se importa com o domingo.
Domingo de mazela pessoal; frango salgado, mas quem se importa? Sábado, amontoado de horas bestas; excomungado, religioso praguejando. Sexta, última frustrada bebedeira da semana de tantas vidas passadas... Quinta parte de salário sofrido, sequer cheira a dinheiro novo. Quarta de excessos, todo o banco de horas não rende mínimo salário. Terça recomeço do hilário político eleitoral democrático obrigatório. Segunda, fim de sono perturbado; lençol revirado, cara franzida. Domingo ferrado com essa quinta remendada do quinto artigo.
Duas festejadas desculpas de esbalde em dezembro. A proclamada liberdade democrática de novembro. Tem esgualepado pensando promessa em outubro. Avante! Os militares estão perfilados, é setembro. O Governo sempre promete alguma nova em agosto. Estradas ulceradas; repletas de carros, férias, julho. Quase todas as mulheres ficam desenganadas em maio. Nada aqui é florido durante este solitário mês de abril! Deus salve o recesso político! Fuga programada para março. Carnaval, estrangeiro atacado sob o parco sol de fevereiro. Sirva-se do gole derradeiro a fim de esganar a coragem em janeiro.
Ponha vista no mal feito daquele um. Vamos causar uma reviravolta no tempo, Nós dois. Seremos falsos heróis, cambaios, os três...
Três sonhadores desocupados, Dois foragidos heróis fracassados, Um louco feliz fazendo o que lhe der nas ventas. Confusão; tem gente brava brigando na feira. Isto não é nada do que você ou eu faríamos,
POEMA MORTO
Quando parto desta vida com alento, Deus sabe o que fiz do meu talento.
Certo dia, Quando atinei, Estava às vésperas da morte.
Na volúpia, Enlevo do pensamento, Quis enaltecer o inevitável.
Confiante de que daria tempo, Fui aos poucos assuntando, Buscando a forma galante, [prossigo.
Não desejo lamurias, Estatelado, sem camisa, Frívola é a necessidade de velas.
De escasseada descendência, Sem prole vampiresca, Dou-me ao luxo de dispensar a cruz.
Vou silente, Não quero premissas, Epílogo sem culto, macumba, rito ou missas.
Amante da música, No preâmbulo da minha saída, Deixem tocar suavemente, De Catulo da Paixão Cearense, Luar do Sertão.
Esta sonora quebra do gélido ambiente, Vai regozijando os presentes, Fazendo lembrar que fui muito feliz, Querendo entender as gentes
Deixe que invadam o lugar, Minhas sortidas e inodoras jardineiras, Poupando-nos dessas funéreas, E mui fétidas coroas.
Sem incensos, Coloridas velinhas, Ou esotéricas pedrinhas... Carniça não necessita de iluminada [estrada.
Já vou...! Impoluto, prefaciando o perdão, A todos que me chatearam, Sabendo que é recíproco o Às mágoas que causei.
Despeço-me, Desço do bonde do mundo, Grato pelo tempo que nele sobrevivi.
Agradeço aos amigos, Os poucos que me suportaram. Benditos os pais pela educação!
Por estes _ seco discretamente uma Lágrima teimosa. Eles sabiam de verdade, Como amar o próximo.
Custa-me caro falar dos irmãos, Que não seguiram tal exemplo. Amealhando parva em amor próprio.
Gostaria de me despedir, Dos amigos e familiares, Agonizante, não disponho de tanto tempo.
Mas é notório, O quão necessário é, ser grato aos amigos, Aos entes queridos... Fico pelo indulto.
Se ressuscitar pudesse, Voltaria como a velha angústia, Ávido de tornar à vida muito melhor.
Recorreria, certamente, A alguns saborosos erros, Corrigia outros e descobriria novos. Lembrando sempre de que a vida é [assim mesmo, contínua.
Difícil reparar as injustiças, Pois não sei em que tempo voltar, A tentativa é válida como maneira de remissão.
Sem luxo, Posso partir em ínfimo ataúde. De minha mãe, na mão, ponham-me, Uma breve recordação.
Lembrando meu pai, sempre alegre, Deixem pelo caminho sorrisos, Abandonados os gotejos de lamentação.
Quando sem alvíssaras o cortejo sair, E a multidão de fãs acompanhar, Digam que ali vai, Apesar das intempéries, Um ser muito feliz.
Não fiquem para o final, Deixem que os homens da sapa, Façam o seu trabalho, Que as larvas completem a missão...
Ao ser lembrado, Falem o que lhes prouver, Carniça não reluta, ou faz defesa.
Mas se de carisma, For merecedor em recordações, De onde estou, Sintam que agradeço.
Aos que ficam, Em impoluta batalha, A paciência é a melhor conselheira.
Desta vida não levo material riqueza. Aqui deixo para quem quiser, Toda estirpe de avareza, Que o vil