ALAGADOS[palafitas de Salvador]O porquê todos sabem...O que fazer... talvez quem sabe...quem falou? Todos dizem...Quem sentiu? Todos nós...Nas faíscas de luzes que se sucedemAo longo do horizonte,Um contínuo batalharPor entre máscaras figuradas, que balançamAbandonadas, por entre varasE carcaças açoitadas pelo frio e pela fome,Amortalhando o infestado amontoadoDe raquíticos corpos, que, p ...
ALAGADOS[palafitas de Salvador]
O porquê todos sabem...
O que fazer... talvez quem sabe...quem falou? Todos dizem...
Quem sentiu? Todos nós...
Nas faíscas de luzes que se sucedem
Ao longo do horizonte,
Um contínuo batalhar
Por entre máscaras figuradas, que balançam
Abandonadas, por entre varas
E carcaças açoitadas pelo frio e pela fome,
Amortalhando o infestado amontoado
De raquíticos corpos, que, pouco a pouco
Sobressairão durante o convívio já quase
Imunizado de microorganismos que pairam
Sobrecarregados de substratos
O tempo, palavra inútil, quase nunca
Está presente.
A alegria é algo mecanizado, presente apenas
Quando a brutal e grosseira mão,
Atinge um copo contendo o único
Dispositivo anestésico, levando-o
Ao condutor insaciável das moléstias;
Do alimento manuseado agilmente,
E, até mesmo da fumaça feita pelo único
Direito de distração.
Em cada morada, uma triste e doída
Configuração do escasso relacionamento...
Um vazio que fere, destrói, corrompe...
A ponto do mesmo, tornar-se membro
De um grupo de seres vegetantes
Que pisam sobre tábuas podres
Tais quais a estrutura,
O sistema que os faz cada vez mais inativos,
Animalizados, suspensos ao ar
Correndo o risco de caírem nas imundas,
Turvas, fétidas águas que dançam tranqüilas
Sob subvidas, que ao pesar das horas
Ocultam-se uns sobre os outros
A procura de calor... não por carência
Mas pelo próprio extinto ser,
Ou, instinto animal...
METÁFORAO vinho derramou
Assim como seu prazer
Entorna sobre meus membros
Numa sinfonia mágica em tom agudo
A cabeça fica tonta, girando
Como essas estrelas disformes
Que se aproximam e se retraem,
Quase que em compasso com os órgãos
Que se atraem e se repelem,
Impulsionando a grande chegada do sol
Que vai aquecer e fazer brotar a vida
Os músculos se prontificam
As gotas brotam nos poros
E, chegamos enfim
Ao gozo final da grande farra,
Deixando a mesa repleta,
A boca suja,
O corpo cansado,
E o prazer satisfeito...
REVELAÇÃOÉ dentro
É fora
E vem forçando
Pressionando
Querendo sair
Se libertar
Se mostrar
Desvendar-me
Aperta a garganta
Numa busca doente
Que corre de um lado
E frustra do outro
A espera é longa
O desejo adormece
E desperta numa fuga
Que começa e termina
Num vazio qualquer
De um nada sutil
Vem com força
E percorre como um rio
Que manso adormece
Que revolto maltrata
A vontade que não cessa
E finda naufragando
Ardendo como febre
Arrancando aos poucos
O que de único existe
E jamais será esquecido
Por que o tempo, apesar de forte,
Não foi capaz de destruir
E segue seu caminho
Como uma luz celestial
Que poderá voltar
E ao retornar
Fica dentro
E fora
Forçando,
Pressionando,
Querendo sair
Se mostrar
Revelar-me...
biografia:
Maria Del Carmen Britto MendezBiografia: Nascida em Salvador/Bahia em 10/06/1961, instrumentadora cirúrgica [lidando com pacientes], sempre trabalhou em áreas administrativas e comerciais em Empresas [lidando com clientes], mas que tem a poesia na alma como fonte natural que deságua as suas impressões de vida [lidando com almas]. Cursa Licenciatura em Letras em Salvador/Bahia. Maria Del Carmen Britto Mendez - A poética inquietante, romântica e espiritual , em linhas e traços traçados com a verdade da alma e abnegação de uma guerreira armada com as armas mais poderosas...as Letras.
m_delcarmen_mendez@hotmail.com