As palavrasAs palavras se assustamquando as acordamos de seu sononas páginas fechadas da memória,como se acendêssemos a luz de um quartoe acordássemos lemingues engaioladosa sonhar com tocas, com o frioe a escuridão ártica.Só então dizem a verdadepois ainda não ensaiaram outra coisae estão espantadas com os paláciosque construíram, sós,sem a ajuda da realidadee onde nunca poderão hab ...
As palavrasAs palavras se assustam
quando as acordamos de seu sono
nas páginas fechadas da memória,
como se acendêssemos a luz de um quarto
e acordássemos lemingues engaiolados
a sonhar com tocas, com o frio
e a escuridão ártica.
Só então dizem a verdade
pois ainda não ensaiaram outra coisa
e estão espantadas com os palácios
que construíram, sós,
sem a ajuda da realidade
e onde nunca poderão habitar.
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MitologiaEstou cuidadoso,
olho as palavras,
seus ângulos, suas facas,
usando o espelho
que usei contra a Medusa.
Nos labirintos gregos
onde o medo cria monstros
verei apenas a luz do sol
e ouvirei o som de meus passos
seguindo em frente.
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Roteiro impensadoAs palavras mentem,
sentem, dizem que pressentem,
e vão ao cinema, desaforadas,
de salto alto e cara lavada.
Lá se derretem em imagens,
tesão e sonhos,
a nos lembrar dos filmes
e das vidas que escreve[re]mos.
biografia:
Luiz Felipe CoelhoFísico e poeta.
coelho@if.ufrj.br