Eduardo Rennó Gomes
Eduardo Rennó é graduado em comunicação social pela UFMG com especialização em rádio e TV. Atualmente estuda no curso de Letras da UFMG. Além de escrever poemas, alguns já publicados, vem realizando trabalhos em filmes, vídeos e fotografias, como filmes em super-8. Entre seus vídeos destaca-se “Terra de Gigantes”, prêmio de melhor experimentação fotográfica no Festival Cineesquemanovo [RS] e a “Trilogia dos Sentimentos”, com destaque para “Vão [da solidão]”, prêmio de melhor filme Super-8, na Mostra Curta-Minas e “Eterno Efêmero [do amor]”, primeiro prêmio no Bryant College Video Festival [EUA]. Também vem realizando exposições fotográficas coletivas ou individuais, como a exposição “Libertas”, de fotos coloridas com tema paisagístico da praça da Liberdade, no Centro Cultural da UFMG, e “Libertas II”, de fotos preto-e-brancas com o mesmo tema, na Galeria da Árvore, dentro do Parque Municipal de Belo Horizonte.
E-mail: edurenno@yahoo.com
À Tarde
Eduardo Rennó
Amanheceu
Numa neblina azulada
Pálida como a neve
Que a turquesa não pintou
A cortina abre leve
Mansa como uma crina
Que desce acizentando
Todo amor que me faltou
No dia que estar por vir
Marrom alaranjado no gramado
Do sol de meio-dia
Que a grama que nasceu pintou
Bordo o azul dourado
Dessa tardinha
Que o peixe pula na brisa
De uma lagoa que pesco antes do pôr
Anoiteceu agora mais cedo
Nesse inverno que calento
Nas minhas adolescências juvenis
Que a minha velhice espera
Nesse orvalho da aurora
De uma árvore que ainda não repousou
Ser um e outro
Fecho os olhos
Fecho a cortina
A luz me estabiliza
Abro e fecho a retina
Seus olhos nos meus olhos
Retira a lágrima
Que ficou guardada
Antes de cair o véu da neblina
Você fica e resiste
O nó é guardado
O círculo é de vidro
O jarro é quebrado
Você foge o tempo cede
A chuva cai
O sol não sai
Os anos passam
Você não volta
Fica dentro
O sentimento
A lembrança
Da esperança
Você dentro de mim
Guarda algo que perdi
Vai o tempo que tive
E o seu cabelo com flor jasmim
Conversamos em silêncio
Jogamos cartas na cama
Você pede mais um pouco de aconchego
Prova que ainda tem alguém que ama
Ao fim saberemos
Um no outro
Que somos um e outro
Só um, mas sempre o outro
Achando no outro
A vontade de ser só um
Junto com o outro
Encontro de Conversas
Eduardo Rennó
Para cada canto
de seu pensar
paro no sagrado
canto do seu olhar
Vejo, viajo e olho
o molho de chaves
que abre o cadeado
de entrega do sonho
do futuro tardio
do diálogo vindouro
do nosso jantar
Quero, mais que posso
possuo, mais que tenho
a cada palavra
a cada caçada
a cada brincadeira
dada de bandeja
na bandeira recém-feita
costurada em linho e linha
num jogo de roubar
Roubo, mas só um pouco
quase nada, admito,
mas quero, e mesmo muito
sempre te procurar
às vezes te achar
e numa conversa
me encontrar