FÊMEA SUL-AMERICANAtransgressora meninaque não cala e embalalatino-americanade mesma memóriade las Madres de Mayode filhos, de talhosrevolucionáriavive para o novoem si, dentro e forahospeda na almaaguerridas mulhereshomens de muitas pátriasna marca dos seus dedosperseguida Anitatodas digitais, fortes, carnais, compadecidasmi sombrero es mi padredesafiadora boina,o lenço vermelhoé sangue, e ...
FÊMEA SUL-AMERICANA
transgressora menina que não cala e embala latino-americana de mesma memória de las Madres de Mayo de filhos, de talhos revolucionária
vive para o novo em si, dentro e fora hospeda na alma aguerridas mulheres homens de muitas pátrias
na marca dos seus dedos perseguida Anita todas digitais, fortes, carnais, compadecidas
mi sombrero es mi padre desafiadora boina, o lenço vermelho é sangue, empreendedora
um porvir de colos a dar
onde os meninos?
no fundo do poço há vertentes na teia do criar, as sementes Gaia, barro, argila, corpos teto, caverna, matas pó de estrada
móvel morada de quimeras de los defensores de la tierra de los hombres de nueva mirada de los espiritos del cielo y del mar, del mar, de lãs viñas del amar -------
DOS MEDOS
sem controle da mente que voa, voa, voa a complexidade em mim me assusta e tenho medo
medo de buraco sem fundo e me perder do mundo medo de perder as crias e virar vó para sempre
medo de ter feito tudo errado e assim como minha vó, um vulto, mais um que oculto, só ter tido luto
medo de ter criado castelos de cartas apenas
medo da palavra dita ou mal-dita marcando a ferro e a fogo a alma dos outros para sempre
medo de, ao ter sido eu ter sido carrasca nevasca, aquela que arrasta e se afasta
medo de ter sido menos porto do que devia mais morta do que queria mais torta do que podia
medo de ter sido pai quando me queriam mãe aquela que acolhe que dá calor e leite aquela que mais pressente e está presente aquela, a menos tagarela e culpada
medo de estar no rumo errado de ser mito de sísifo e muro e estar sempre algemada escancarada
medo da luz intensa da dor imensa trem em movimento moto contínuo sofrimento
medo de não poder mais menina, garça e eterna palhaça sentir a dureza cotidiana
medo de um sopro ao vento ser lamento, urdimento firmamento e fim
medo de ficar pra sempre fora de mim
set 2005
ÀS MULHERES DE MINHA VIDA Magros corpos escorridos ou redondos seios de acolhida, ouvidos moucos ou atentos de colo, bocas grandes ou pequenas de afagos, olhos de muitas ou poucas verdades, interestelares fios de afeto e celulares, muitas em uma só, uma só em muitas, são todas e únicas, comuns e singulares, meus pares de hormônios, terapeutas e irmãs, mães, mestras, junto todas numa só, e és tu, a mais próxima, e és ela, a mais distante, aquela que nunca mais, aquela imenso vazio, aquela que foi-se, a outra que danou-se, minhas colegas do dia, minhas filhas, minhas alunas, minhas especiais, todas fenomenais. E somos todas Gaia, polaridades da mente inquieta e da mente sem ou a precisar de