Flor/mãe/mulher Em um mês de maio, de mães e de floresO jardim da existência me brindou com umaBela rosa, tanto tempo ocultaE que desabrocha no devido instanteEm que eu tinha a maior carênciaDe um sorriso, de um recomeço. O tépido e abençoado leite que te regouRosa formosaTe fez crescer e coloriu as pétalas Aveludadas que meu corpo anseiaE pede e chama e necessita e buscaA toda hora pra s ...
Flor/mãe/mulher Em um mês de maio, de mães e de flores
O jardim da existência me brindou com uma
Bela rosa, tanto tempo oculta
E que desabrocha no devido instante
Em que eu tinha a maior carência
De um sorriso, de um recomeço.
O tépido e abençoado leite que te regou
Rosa formosa
Te fez crescer e coloriu as pétalas
Aveludadas que meu corpo anseia
E pede e chama e necessita e busca
A toda hora pra sobreviver.
Quando ele [meu corpo] sente o toque
Brando e terno, do teu
E a carícia me percorre toda a alma
Vou ao céu
Nas asas da paixão levito e sinto
O carinho e o amor da flor mulher.
Stênio, maio de 2008.TARÂNTULA Vem a mim, aranha, me arranha
Me faz subir pelas paredes, me prende
Em tuas redes, me leva pro teu céu
Me faz ninar, me põe na boca o mel
Que invejosos me dizem que é fatal
Não me faz mal.
Vem, me abraça, me enlaça, em cada um de teus fios
Me enrosca, me sufoca ou até me enforca,
Se é teu querer, com certeza é meu prazer.
Mas me embalsama com tua mágica saliva
Para que eu viva qual faraó egípcio
Eternamente. E de sonho, poesia, brisa.
Quero arriscar-me, voar c’asas de Ícaro
Que se derretem ao calor de um sopro teu
Que tua rede seja o pára-quedas, opíparo
Que teu sorriso sempre e sempre prometeu
Quero provar a exuberância de teus lábios
Sem importar quanto a picada me doeu
Me lambe, me extrai o sangue
Deixa-me sem qualquer hemácia
Exangue.
E ainda viverei.
Consorte, do teu amor
Sem ela, do teu calor.
Mas é na rede, a tua/minha rede
E que desejei com tanta, tanta sede,
Que finalmente sinto que estou.
Stenio, setembro de 2008INGRID BETANCOURT Após seis anos eclipsado reaparece o sol de teu sorriso
Sensibilidade e força demonstra a todo instante
E muitos pesadelos são nele extravasados.
Em teu longo relato, a postura ereta
Parece dizer fadiga tu és nada, ou mesmo o tempo.
Da fibra mais resistente é o teu corpo
Do mais doce mel é teu sorriso.
De nada e para nada é o mal que nem sei se te fizeram
Pois que serviu pra temperar o aço de tuas veias
E para mostrar ao mundo a candura de tua alma.
Voltaste radiante de luz própria acumulada
No mais longo inverno polar que se conhece
Sem que os cegos animais que te prenderam
Tenham atingido o brutal intento de também cegar-te.
Nem sei se estiveste mesmo presa, pois espírito,
E ainda tão forte, não se prende.
E não renascestes pois que nunca foste morta
Tua visão, ao contrário está mais límpida
E arguta. És a águia, cujas asas não se cortam
E solta e leve, linda e forte plana
Em céu de brigadeiro. É primavera.
Junho de 2008.Stenio.Biografia:
Stenio LuzSou cearence, 58 anos, poeta e bancário aposentado.
stenioluz@yahoo.com.br