FLOR TARDIAPediram-me pra não rimar.Mas isso é desmontar meu coração,é abrir a janelae perceber que não há sol,um soco rasgado no poema,é a eclipse da emoção.É tão bom poder rimar amor e...[flor]!Não sei usar o excremento das palavras...E onde ficam os ecos das metáforasque revestem de brilho a poesia?Acho que também perdi o bondee no jardim onde queima a minha facesou apenas uma fl ...
FLOR TARDIAPediram-me pra não rimar.
Mas isso é desmontar meu coração,
é abrir a janela
e perceber que não há sol,
um soco rasgado no poema,
é a eclipse da emoção.
É tão bom poder rimar amor e...[flor]!
Não sei usar o excremento das palavras...
E onde ficam os ecos das metáforas
que revestem de brilho a poesia?
Acho que também perdi o bonde
e no jardim onde queima a minha face
sou apenas uma flor tardia.
Basilina PereiraCOLEÇÃOTodo mundo coleciona alguma coisa.
Eu preferi não arriscar.
Talvez por falta de criatividade
ou, quem sabe, por um apelo inusitado,
pintei a vida em preto e branco
e, no jardim dos esquecidos,
decidi colecionar olhares:
olhar de tristeza,
de medo,
decepção...
faltam palavras
pra definir todos os sentimentos
esquecidos
entre um lampejo e um piscar de olhos.
E assim,
sem espaço e horizonte
sigo captando o brilho ou a sua falta
que nas madrugadas
transformo em verso.
Basilina PereiraCUMPLICIDADEVaga música martela meus ouvidos,
quebrando um silêncio que não era de ouro
mas valia cada nota
que deixava de ecoar.
E o relógio buscava a hora presente,
aquele lapso de tempo
enroscado em si mesmo
que ao piscar de olhos...
já não é mais.
Mergulho no vazio pleno
de minhas perguntas
que, de tão abstratas evolam-se no ar.
Por que é mesmo que escrevo?
Por falta de outra coisa ou por um chamado ancestral
que me dita o ritmo das palavras
alheio a suas melodias e abstrações?
Volto ao ponto de partida
e lá está o violino plangente
que nem grita e nem se cala...
a noite deveria ser um tapete
a embalar o beijo das almas.
Na parede, um espelho baço
me sugere cumplicidade.
Basilina Pereira
biografia:
Basilina Divina Pereira nasceu em Ituiutaba-MG,mas reside em Brasília desde 1983. É professora aposentada e advogada, com especialização em Direito Processual Civil. Tem 3 filhas e 3 netos e, embora a literatura sempre tenha feito parte de sua vida, só há 2 anos começou a escrever poesias. Participa de várias comunidades do ORKUT,onde veicula seus poemas, participou recentemente de duas antologias lançadas no XVI Congresso Brasileiro de Poesias em Bento Gonçalves,quais sejam: POEMAS À FLOR DA PELE E POETA MOSTRA TUA CARA. já escreveu 3 livros de poesias, QUASE POESIA, JANELAS E ARABESCOS, sendo que os dois primeiros já estão registrados e serão publicados em breve. Sua produção literária prossegue, com mais dois livros em fase de produção : um de contos e outro de poesias.
basilina@brturbo.com.br