O PEQUENOÉ noite friade vento forteE pequenas mãos roxeadasapertam os joelhoscontra a barriga vaziaE tenta adormecerE tenta esquecera fome do diaNão é casanem barracoonde o pequenolavador de carro dormecomo vagabundoÉ debaixo do bancoda parada de ônibusno abandono dos paisna indiferença do mundo[Hélio S.Pereira, in No Laçoda Opress&atil ...
O PEQUENO
É noite fria de vento forte E pequenas mãos roxeadas apertam os joelhos contra a barriga vazia E tenta adormecer E tenta esquecer a fome do dia
Não é casa nem barraco onde o pequeno lavador de carro dorme como vagabundo
É debaixo do banco da parada de ônibus no abandono dos pais na indiferença do mundo
[Hélio S.Pereira, in No Laço da Opressão] .............................
ALGUÉM ESTÁ OMISSO
Alguém está omisso para com o povo para com a vida Alguém de barriga estufada -bem abastecida
De que valeu na ditadura o sacrifício a perseguição a tortura o sumiço?
Alguém está omisso sobre a violência neste país Alguém que tudo sabe mas não diz
Alguém está omisso de corpo e alma nesse precipício
[Hélio S.Pereira, in Para que não Reste o Silêncio] ............................
NA MESMA BARRICADA
Estamos na mesma barricada contra aqueles que elegemos
Chega de espiá-los devorando a mesma pizza
Livro a livro tiraremos a venda que nos cega a mordaça que nos cala
Só então este povo libertará a mente e o coração ganhará o mundo
[Hélio S.Pereira, in Para que não Reste o Silêncio]
biografia:
HÉLIO SOARES PEREIRA natural de Teresina [Piauí].Estudou Letras [Português/Latim]e pós-graduação: Moderna Literatura Brasileira; Metodologia e a Didática do Ensino.É professor da Secretaria de Educação do DF; membro fundador da Academia Taguatinguense de Letras e do Sindicato dos Escritores do DF. Bibliografia:Onde o Horizonte Vem Esconder-se...[poesia,1982]; Poesia com Chantilly [1993]; Carícias que as mãos e os lábios tecem [poesia,1993]; Eclipse das Mentes [poesia,1998]; No Laço da Opressão [poesia,1998]; Para que não Reste o Silêncio [poesia,2007].