2007_01_poemas_ACnasce o sol no vidro da janela,na órbita da sala,no antepasto da luz encolhidapelos grãos de água.nasce no vidro, na lâmina,no sulco encardidode mil partos mais a náuseade outro dia:onde teus olhos se aninhame, perplexos, navegam.seqüência sedimentar,veio líquido corroendonossa voz ausente.2007_08_poemas_ACestilhaços de te ...
2007_01_poemas_AC
nasce o sol no vidro da janela, na órbita da sala, no antepasto da luz encolhida pelos grãos de água.
nasce no vidro, na lâmina, no sulco encardido de mil partos mais a náusea de outro dia:
onde teus olhos se aninham e, perplexos, navegam.
seqüência sedimentar, veio líquido corroendo nossa voz ausente.
2007_08_poemas_AC
estilhaços de tempo que se cravam por detrás do pó, da ampulheta, no fumo da noite distante em sangue filtrada e esboçada por cem fios de terra e plasma.
reflexo disperso pelo ódio centrífugo de um deus recente.
agora o aboio, o abandono, os dentes envenenando uma boca muda.
aguardada.
como o prumo e o ácido dos frutos que ousaram não apodrecer.
2008_03_poemas_AC
tulipas temerárias brotam do cerco inclinado da noite numa sucessão de seivas perplexas
- o instantâneo da fumaça sob o domo, fora do alcance da semente e do húmus -
e ao mesmo tempo outra e entre outras, tanto, intangível pâmela nesses degraus onde teus pés pisaram as pétalas bárbaras e as manhãs.
um pouco mais agora, visível no horizonte, a órbita mágica dos gestos perfeitos, de tuas mãos egípcias.
onde tua voz ecoa livre, inaugurando o dia.
biografia: Eduardo Domingues Poeta e escritor brasileiro, nascido em Belo Horizonte, MG, Brasil. Tradutor de Eliot e James Joyce, leitor de Borges e Neruda. Faz atualmente o curso de Bacharelado em Inglês na UFMG.