Sem compromissofaz-me faltao riscosem compromisso e adorno.rabisco rabiscoe o canto do olhoinsistindo o sentidoé o próprio ciscoem que me recolho.amanhã, quem sabedessignifico.amanhã, quem sabeum risco novo.............PássarosEu os vejoalados e mensageiros...Pássaros de outra esferatranspondo o cantoem sutileza de ave.Eu os seiávidos de poesiade ve ...
Sem compromisso
faz-me falta o risco sem compromisso e adorno.
rabisco rabisco
e o canto do olho insistindo o sentido é o próprio cisco em que me recolho.
amanhã, quem sabe dessignifico.
amanhã, quem sabe um risco novo.
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Pássaros
Eu os vejo alados e mensageiros... Pássaros de outra esfera transpondo o canto em sutileza de ave. Eu os sei ávidos de poesia de verdade e vida modelados a lado e a gosto dos vivos. Quase deuses de si quase autônomos e imaginários.
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Sem Juízo
Vou ficar por aqui, sob essa chuva Em que a poesia me desacoberta. Não quero capa, não me dêem luva... Que seja a chuva a gota que me resta!
Vou deixar que neve o sonho que abusa Do chão de nuvens, sem juízo ou pressa. Para deslizar como quem flutua... -Como quem ama, sem medida certa!
Vou enxaguar o coração na lira Que pelos ventos, só, me desconserta! Vou ser poesia, navegando a rua!
Incorporá-la, a me perder de vista! [Vou ficar por aqui, sob essa chuva. Nutrindo o verso que me torna terra.]
biografia:
Célia de Lima nasceu em 1968, no interior de Minas Gerais, e reside em Campinas desde 1993. É psicóloga clínica, e exercita poesia por paixão pelas letras e o que elas são capazes de transmitir, em emoção, de provocar, em experiência pessoal. Escreve por necessidade e prazer, sem qualquer preconceito, na certeza de que a própria palavra dá o direcionamento.