A PRIMAVERAApesar de tanta escuridãoa primavera é chegada tal uma rosa, a prumo,no gume de uma espada.Em minha terra a primaveravem do chão,ode vir antes ou depoisdo calendáriomas nunca falta não.A primavera em minha terratalvez seja só uma palavra,uma mulher amojando,uma terra que se lavra.A primavera em minha terratalvez seja só uma palavra, algo antigo que se queima,uma tristeza que se l ...
A PRIMAVERAApesar de tanta escuridão
a primavera é chegada
tal uma rosa, a prumo,
no gume de uma espada.
Em minha terra a primavera
vem do chão,
ode vir antes ou depois
do calendário
mas nunca falta não.
A primavera em minha terra
talvez seja só uma palavra,
uma mulher amojando,
uma terra que se lavra.
A primavera em minha terra
talvez seja só uma palavra,
algo antigo que se queima,
uma tristeza que se lava.
Em minha terra a primavera
vem do chão,
pode vir antes ou depois
do calendário
mas nunca falta não.
RESENÇATer que ficar aqui
no meio da rua testemunhado a vida
quando todas as ruas estão mortas
Vir para o meio do mundo
e dizer do alto das escadas
que a poesia é triste
e que a vida é feita só de estradas.
Vir para o meio do mundo
quando já não cabe no mundo
a chave da sua porta.
PERMANÊNCIASó para não morrer,
me deitei ao seu lado
e desatei a esteira
de pássaros.
As cabras pastavam dos cabelos,
e não havia mais
que o momento
suspenso
sobre a nossa cabeça.
Só para não morrer dei seu nome
às coisas da terra.
Dei meu nome
ao rio leite
e aos teus seios profundos.
Foi só para não morrer
que eu imitei o amor
e me pus na voz das coisas
e no abismo, por onde alagavam tuas pernas,
a luz dormente de uma estrela escura,
fiz do não ser,
da inteira ausência,
minha manhã de perdição,
ser de procura.
Foi só para não morrer
que eu me deitei ao teu lado
como um menino no frio,
cativo pássaro calado.
Biografía:
Aidenor Aires PereiraNasceu em Riachão da Neves – BA, no dia 30 de maio de 1946. Reside em Goiânia desde a infância e aqui fez todos os seus estudos. Bacharelou-se em Letras Vernáculas e em Direito pela Universidade Católica de Goiás. Aposentou-se como promotor de justiça. Foi Presidente da União Brasileira de Escritores de Goiás. Pertence à Academia Goiana de Letras e à Academia Goianiense de Letras. É Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. Publicou os livros: Reflexões do Conflito, poesia- Goiânia,1970; Itinerário da Aflição, poemas. Goiânia, 1973; Na Estação da Aves, poemas 1973; Lavra do Insolúvel, poemas. Goiânia: Oriente, 1994; Rio Interior, poemas. Goiânia: Amaragrei. Brasília: Ipiranga, 1978; O Canto do Regresso, poemas. Goiânia. 1979; Tuera – Elegia Carajá, poemas. Brasília: Thesaurus, 1980; Aprendiz do Desencanto, poemas. Goiânia: Unigraf, 1982; Os Deuses São Pássaros do Vento. Goiânia: Cerne, 1984; A Árvore do Energúmeno, contos, Kelps, 2001, Via Viator, poemas. São Paulo: Melhoramentos, 1986 e O Dia Frágil, UBEGO/Kelps,2005.
http://aidenoraires@blogspot.comliterjur@terra.com.br