Soneto do Romance EternoO desejo com que te busco logo vemE na angústia de amar espatifei a taça.Sou ruminante do que a memória retém.Guardo, dos teus lábios, o gosto que ameaça.Não bebo do vinho, por pura sobriedade.Preparei, para ler teus versos, o melhor momento,Ancorando os sonhos aos pés da eternidade,Antes mesmo de beijar o menor fragmento.Teus receios nunca me provocam chaça,Porque ...
Soneto do Romance EternoO desejo com que te busco logo vem
E na angústia de amar espatifei a taça.
Sou ruminante do que a memória retém.
Guardo, dos teus lábios, o gosto que ameaça.
Não bebo do vinho, por pura sobriedade.
Preparei, para ler teus versos, o melhor momento,
Ancorando os sonhos aos pés da eternidade,
Antes mesmo de beijar o menor fragmento.
Teus receios nunca me provocam chaça,
Porque sou leve e lento para entender
As cores do teu romance em devassa.
Quanto mais tenho a ti em pessoa,`
Para a ternura que as palavras resumem,
Concluo, enfim, jamais ter te amado à-toa.
Jejum e FomeMinhas palavras não parecem felizes,
Porque elas escondem o qwue penso.
A lógica que opero é muito fragmentária,
Logo se instala o desacordo,
Revelado entre mim e os amassados sentimentos.
Vou juntando pedaços de tudo,
Para montar um planetário de visibilidades
E ver todas as coisas por todos os ângulos.
Não posso apresentar meus poemas em casa vazia,
Mesmo desconfiando estar entortando versos.
Preciso que a boa sorte fique ao meu lado.
Um pouco de si e ela será bem-vinda,
Mas tenho a intuição dos concretos limites.
O meu relento é o lugar das tantas vozes,
Quando, nele, jejuo parecendo que estou com fome.
No Bico da ChaleiraMinha vontade é de parir poemas com o coração
E fechar a boca para não cuspir,
Sobre o prato, o elogio desviado de mim,
Porque nunca trabalhei para ser simples.
Se sabiamente dissesse todas as coisas com paixão,
O mal por si teria sido menor à minha conta.
Faria caso, de primeira, de soletrar as pausas,
Corrigir a apressada fala e evitar morder a língua.
Os atos que confiro são os meus focos de resistência,
Algo parecido a teias pendendo do teto
Ou a fragmentos do universo das palavras vãs.
Ainda não conheci a Pasárgada, de Bandeira,
Ora, meus versos lembram nuvens pequeninas,
Espirais de fumaça no bico da chaleira.
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biografia:
Daladier S. Carlos nasceu na cidade do Rio de Janeiro, onde reside. É casado e tem tr^^es netos e mais um a caminho. É graduado em Psicologia e Direito. Compõe poemas desde a juventude. Acabou de publicar um livro de poesia intitulado A Pele da Alma, o qual não está ainda nas livrarias, mas disponível com o autor.
dalacarlos@yahoo.com.br