I,a vida goteja-me nos olhosenchendo-os de sol ao meio diade vidatão pequena enchendo a salaagarrando-se-me aos dedosadivinhando o vermelho que escorre quadro na paredepressentindo o drapejamento de nossos vestidosesvoaçando borboleta pela casacegando-nos com o pó coloridode vôo[e]ternoe contundentePomba pousada numa estátuaum livro de poesiasvidaNem incensomirran ...
I ,a vida goteja-me nos olhos enchendo-os de sol ao meio dia de vida
tão pequena enchendo a sala agarrando-se-me aos dedos adivinhando o vermelho que escorre quadro na parede pressentindo o drapejamento de nossos vestidos esvoaçando borboleta pela casa cegando-nos com o pó colorido de vôo [e]terno e contundente
Pomba pousada numa estátua um livro de poesias vida
Nem incenso mirra nem reis
Como é universal um recém-nascido
\'E vendo elles a estrella, alegraram-se muito com grande alegria\' Matheus 2:10
II À noite pelas ruas, como um prolongamento inverso de minha sombra, rastejo colado ao solo sobre os paralelepípedos as poças a grama
Na frente ao lado atrás nunca dentro de mim mesmo
Minhas pernas meu coração andarilhos e minha alma enterrada aos teus pés nessa terra-queimada que você revolve com os dedos ama
A memória ondeia não tão absoluta quanto o mar:
você minha infância neolítica e suas pedras multicor-multiformes suas conchas xícara de porcelana chinesa seu prato de sopa poético não falo da poética social... Falo dos conjuntos de pequenos círculos de óleo amarelo boiando dos pedacinhos moles de macarrão e salsa dessa água colorida grossa e doce onde bebes teus próprios lábios
Tua alma um prato de sopa.
III Brigamos os cães ladram à nossa passagem os cães [dentro e fora da gente] nos querem separar
essa música distante e esse ar quente [ar das nossas bocas tuas bocas] são coisas de verão [como a chuva] de infância
somos crianças banho tomado cheiro de sabonete no corpo comendo pão no escuro no escuro a gente se toca somos adultos adultos nascemos todos nascemos no verão no outono fazemo-nos em pedaços [de miolo-de-pão] e cada migalha brota na primavera os cães não ladram na primavera [amam] mas a música [da brisa] longe toca ainda ainda te tocarei
biografia: Carlos Zürck Cruz
[ carloszurck@yahoo.com.br - São Cristovão, Rio de Janeiro,Brasil, 1955] Professor, Pós-Graduado em Artes Plásticas, Artista Plástico e Escritor [premiado].
\'... sou plural, se fosse singular seria CARLO...\'
1969 - premiado [2º lugar] no Concurso Literário Estudantil \'O GLOBO\' e \'EL ATENEO\';
1979 - premiado [menção honrosa] no IX FESTIVAL DE POESIA DO SESC DE FRIBURGO;
1982 - premiado [3º lugar] no I FESTIVAL DE POESIA DO INSTITUTO METODISTA BENNETT \'RUMO DA RIMA\';
1986 - publicado na antologia NOVA POESIA BRASILEIRA - Coordenação de Cristina Oiticica, Editora Shogum Arte;
1988 - premiado [menção honrosa] no I CONCURSO DE POESIAS DO JORNAL BALCÃO;
1989 - premiado [3º lugar] na X CIRANDA DE POESIA DA BIBLIOTECA POPULAR DE JACAREPAGUÁ;
2003 - publicado na Antologia TALENTOS DE UM NOVO TEMPO, Editora Litteris;
2003 - premiado [1º lugar] no II CONCURSO MUNICIPAL DE CONTO - PRÊMIO PREFEITURA DE NITERÓI;
2005 - premiado [1º lugar] no III CONCURSO LITERÁRIO FALARJ - FEDERAÇÃO DAS ACADEMIAS DE LETRAS E ARTES DO RIO DE JANEIRO;
2006 - premiado [2º lugar] no XVIII CONCURSO INTERNACIONAL DE VERÃO [Edições AG];
2006 - publicação do livro de contos: \'NOS DIAS PARES, ÀS VEZES, CARUSO CANTA\', Editora Quártica, RJ;
2006 - 8º CONCURSO DE LITERATURA, Canoas, Rio Grande do Sul [Participação];
2007 - premiado [menção honrosa], 3º CONCURSO NACIONAL DE POESIA - PRÊMIO \'FILOGÔNIO BARBOSA\' - COLATINA.