RestosHá um resto de noite pelas ruasque se dissolve em bruma e madrugada.Há um resto de tédio inevitávelque se evola na tênue antemanhã.Há um resto de sonho em cada passoque antes de ser se foi, já não existe.Há um resto de onmtem nas calçadasque foi dia de festa e fantasia.Há um resto de mim em toda parteque nunca ...
Restos
Há um resto de noite pelas ruas que se dissolve em bruma e madrugada.
Há um resto de tédio inevitável que se evola na tênue antemanhã.
Há um resto de sonho em cada passo que antes de ser se foi, já não existe.
Há um resto de onmtem nas calçadas que foi dia de festa e fantasia.
Há um resto de mim em toda parte que nunca pude ser inteiramente.
Ode ao silêncio
Vesti o silêncio com teu rosto.
Na passagem das horas, fiquei menos só, fiquei mais triste.
Somente ao construir a tua ausência é que pude entender de que consiste.
Não me importa o que tu és ou não és mas o que tanto foste e que persiste,
ornamentando osilêncio.
As palavras te recriam do fundo irretocável do passado como uma silhueta móvel
Madrigal Napolitano
Nos olhos permanece, anulando a distância e no tato a lembrança fugaz do contato um perfume que passa; um canção que voa, um gosto quase resto no canto da boca -- antes não tivesses ficado com tua crueldade nua: eis que vences o tempo-- o corpo, sim, o desejo não envelhece.
biografia: Ildásio Tavares Bacharel em Direito. Licenciado Mestre, Doutor e Pós Doutor em Letras. 28 livros publicados. Poesia, conto, romance, ensaio, teatro, Professor universitário de Literatura por 25 anos. Foi da Luta Armada contra a Ditadura Militar, preso, torturado, exilado. Jornalista com crônica semanal na Tribuna da Bahia. Compositor de música popular com canções gravadas por Maria Bethania, Maria Creuza,Alcione,Vinicius de \\Moraes etc. autor da Ópera Negra LIDIA DE OXUM que encnou em 1996. Crítico. Diretor Teatral