O HOMEM E A BORBOLETANo vento ligeiro que sopra meiguice, no vôo primeiro, após despertar. É o grito da alma, outrora encolhida. É o encontro com a vida, com a promessa de vida.No outono do sono quando as folhas caíram, desnudando o medo e cingindo a dor, o Amor deu-lhe vestes de graça e beleza, descerrou as cortinas e lhe abriu as janelas.Levanta-te pois em teu vôo de glória, o Vento te a ...
O HOMEM E A BORBOLETANo vento ligeiro que sopra meiguice, no vôo primeiro, após despertar. É o grito da alma, outrora encolhida. É o encontro com a vida, com a promessa de vida.
No outono do sono quando as folhas caíram, desnudando o medo e cingindo a dor, o Amor deu-lhe vestes de graça e beleza, descerrou as cortinas e lhe abriu as janelas.
Levanta-te pois em teu vôo de glória, o Vento te ajuda e te leva a plainar, abre os teus braços e abençoa. És livre pra subir, pra voar, pra amar.
O teu rastro agora se fez invisível, pois beleza e fascínio não marcam o chão. É que no silêncio da solidão mais triste, no desamparo da humilhação mais forte, Deus te ordenou a vida e desprezou a morte.
E os brancos campos agora te esperam. Do Vento ouviram e com ardor te esperam.
Pra conhecer seu vôo, pra desejar seu pouso, pra receber seu hálito... e para crer de novo.
EXISTIR:
O CICLO DAS GERAÇÕESEra um tempo de paz aparente, e nele, o silêncio falava. Sua voz, como fagulhas de nódoas, eram depositadas num linho branco e indefeso. Nódoas pesadas demais para um tão frágil e confiado ser. Um ser gerado na colisão, violenta de dois universos em desarmonia.
Um ser trazendo em si a dissonãncia que se acomoda no desequilíbrio, que faz florescer o imprevisível, o assustador, o renegado.
O sol, porém, como anfitrião perfeito, referencial confiável, à abrir portas e deslumbrar olhos bisonhos, assustados, fazendo da surpreza o enganador aliado e, mapeando no linho branco, com outras e novas manchas, suas fronteiras.
Era um tempo de sons e de gritos. Entre estes, momentos de dor e de sustos. Mas, havia o toque da ternura e da graça, e, ainda que entre espinhos e árvores mal cuidadas, uma ou outra flor desabrochava, diante dos olhos maravilhados, puros.
E no carrocel frenético de sonhos e de dramas, onde a esperança é um terreno escorregadio que pode desembocar e quase sempre o faz no apavorante pesadelo da realidade,... a luz dos olhos se tornam chamas,e, a fonte que foi bendita, agora expõe veneno.
Ah, quadro terrível de crueldade insana, em que o fim, de todo anseio, devora insaciável o alento, enquanto a morte, com vestes de engano e brilho, prepara em salvas de escárnio e ira, a oferta máxima de sua fome incontida. Vida, preciosa vida.
E enquanto as garras se apertam no suplício lento e o tempo escorre em seu ritual indiferente,... os universos se esbarram e se ferem por seus limites, produzindo outra vez o escuro, outra vez o silêncio, outra vez...a paz aparente.
PENSAMENTOSSão como armas brancas, fictícias, são com pétalas ou espinhos.
São como caminhos serenos, perigosos, conduzindo á paraísos e abismos.
São como forasteiros, viajantes sem domínio, habitantes seculares, são reis e são súditos, esperados e inoportunos.
São fachos luzentes e claros, são sombras horrendas e escuras.
Levantam-se como trincheiras e sufocam a coragem, abrem-se em horizontes escancarados e alimentam a loucura.
São como lãminas de fio mortal, são como flexas levando o antídoto e o veneno.
São como o vento se expressando em brisas que acariciam e em furacões que destroem.
São como vozes que falam com a leveza da ternura e gritam com a violência do terror.
Na prisão do sono eles se agitam produzindo imagens que riem, que choram, que alegram, que entristecem.
São como sussurros que ensurdecem a alma, que pressionam o espírito, que fazem vibrar no homem o ecoar insistente do desafio, que o empurram para a vida ou que o atraem para a morte.
São como a corrente de um rio caudaloso no qual navegam o bem e o mal.
Eles são sinos gigantescos e ocultos de uma catedral dentro de cada mortal, conclamando seus membros a avançar e crer no impossível ou retroceder, parar e esperar temeroso o que há de vir.
Eles estão dentro de nós e se alimentam pelos nossos sentidos.
Eles são... os nossos pensamentos.
biografia:
Orlando Batista dos SantosNa Penumbra do Coração,
outubro de 2002.
linoaban@oi.com.br