A esperaA noite inteira olhandopara o relógio fictício da parede de sua sala,os pés adormeceram e o resto do corpo começara a doer.ela deveria ter voltado ás sete horasdo dia anterior a este que vai nascer.Balbuciando algumas palavras,uma espécie de prece vazando os dentes,meia dúzia de rosas repousam no jarro;o jantar esfriara e o vinho agora esta quente.As janelas ficaram abertase a porta ...
A esperaA noite inteira olhando
para o relógio fictício da parede de sua sala,
os pés adormeceram e o resto do corpo começara a doer.
ela deveria ter voltado ás sete horas
do dia anterior a este que vai nascer.
Balbuciando algumas palavras,
uma espécie de prece vazando os dentes,
meia dúzia de rosas repousam no jarro;
o jantar esfriara
e o vinho agora esta quente.
As janelas ficaram abertas
e a porta da frente destrancada.
A mesma canção se repetiu dezenas de vezes
além da programada,
sendo a lua de hoje só um risco no céu
manteve acesa a luz da escada.
O vento indiferente,
promove um bale de cortinas esvoaçadas
e sombras de samambaias por toda casa, enquanto é fuzilado por um retrato impertinente
se acabando em gargalhadas.
Já se passaram mais de vinte anos,
apesar do retrato,não há a certeza de que a mulher existiu,
o homem continua esperando
ainda da mesma cadeira olhando
para o relógio que ninguém nunca viu.
POR DEUSDeus é aquele velhinho ranzinza
sentado em uma pedra que toda beira de caminho tem,
mordiscando o talo verde de capim gordura
e olhar perdido planície além.
Vez em quando coça o queixo,
outra vez espanta o mosquito,
abre a boca num bocejo
como se pra engolir um grito.
O vento inventa uma canção
e põe eucaliptos pra dançar.
Deus estala os dedos de uma das mãos
ensaiando assoviar.
Levanta-se de repente
os olhos mirando por hora,o chão.
O lábio inferior entre os dentes
ouvindo apenas a própria respiração.
Surge novamente o mosquito
e Deus já não esconde a indignação.
_Por que será que foi que eu criei este bicho?
e sai chutando uma pedra,gritando um palavrão.
LUA DE ÌCAROEscravo da insanidade
despercebe a loucura,
manifesta a liberdade
ainda que por detrás das grades
da pequena cela escura.
Orgulhoso das enormes asas
sobrevoa a cidade,
acima dos telhados sujos das casas
mesmo que com as mãos atadas,
bate palmas de felicidade.
Os pés no chão úmido e frio não lhe remetem a realidade;
plaina sutil
em seu vôo infantil
tal como anjo de verdade.
Os olhos brilhantes
miram por hora a lua que nos parece vazia.
Rasga ao meio nuvens gigantes
extasiado com o azul cintilante
que os outros homens não viam.
Enquanto a platéia aturdida assiste,
a busca continua.
no rosto aflito o sorriso insiste
e ainda que em convulções o corpo resiste
pressentindo a alma chegar a lua.
biografia:
Edson Augusto Alvesesspigao@hotmail.com