DESSEMELHANTELonge sobrevoa a aveno claro e aceso espelhodas águas da baía,enquanto abrigo em mimtortas lembrançasalém dos dias recolhidosem meu próprio existir.Sinto o derreter das horasque tudo dilui por aqui,nesse vago trânsito.Tenho gosto por esseinterminável vai-e-vem.O tempo que nada esperaora acalma, ora desespera.Extraído de CADERNO DE POEMAS [Rio de Janeiro: Edições Kalamares, 2 ...
DESSEMELHANTE
Longe sobrevoa a ave no claro e aceso espelho das águas da baía, enquanto abrigo em mim tortas lembranças além dos dias recolhidos em meu próprio existir. Sinto o derreter das horas que tudo dilui por aqui, nesse vago trânsito.
Tenho gosto por esse interminável vai-e-vem.
O tempo que nada espera ora acalma, ora desespera.
Extraído de CADERNO DE POEMAS [Rio de Janeiro: Edições Kalamares, 2004].
QUEDA LIVRE
Permita que se esvazie como um anjo de masmorra, partido será o grito nesse mar de granito.
Como uma rês em osso soçobro nos ecos dos tempos d'uma flauta de vértebras, nas curvas do vento.
Sou palavra em queda, refletida no fundo do poço não fale, pois eis que nada, já não ouço.
Ainda ao fim de hoje serei como palavra em eterna queda livre.
CIDADANIA FUGIDIA
Elites brancas negras elites brancos e pretos fazem conversações.
Enquanto findo sem cor, sem raça híbrido como o sapo sou povo na praça.
Sou sonho mestiço mística mistura como feitiço.
Sou moreno, sem antídoto para o veneno.
Sou mulato meio tom tom exato.
Sou a fuga no meio da noite sem disfarce.
No próximo ato pardo me desfaço em novo salto.
biografia: Brasil Barreto - Poeta; Escritor; participa no Rio de Janeiro; de grupo de poetas de rua; com uma experiencia de mais de 35 anos na militância poética. Atualmente edita e vende seus livros de poesia; participa dos diversos eventos de poesia na Cidade do RJ.