Semeando versosRidamar BAtistaEu não sei se escrevo versosmas sinto que a poesiadança dentro de mim,transcrevendo uma órbitaao meu redor.Tudo que vejo, sinto ou pressintotranspira rima e faz poemase um simples pensamentoo olhar furtivo, um sorriso apenasvão se tornando frasesmultiplicando anseiosVersos saem fáceis de mim.Se o solestá brilhando ou nãoisso já nada importasou poeta e cumpro a ...
Semeando versosRidamar BAtistaEu não sei se escrevo versos
mas sinto que a poesia
dança dentro de mim,
transcrevendo uma órbita
ao meu redor.
Tudo que vejo, sinto ou pressinto
transpira rima e faz poemas
e um simples pensamento
o olhar furtivo, um sorriso apenas
vão se tornando frases
multiplicando anseios
Versos saem fáceis de mim.
Se o sol
está brilhando ou não
isso já nada importa
sou poeta e cumpro a minha sina
de andar rimando qual menina
minhas singelas trovas.
HerançaRidamar BatistaO grito da senzala
ecoa dentro de mim
no choro agudo das chibatas
e as formas arredondadas
no balanço das cadeira
fazem minhalma serenar
e as saudades se amenizam.
O pranto se esvanece
a dor das injustiças desaperece
e dá lugar à certeza do sonho
perseguido e conquistado.
A senzala dá lugar ao lar
e o sabor do alimento
inventado na escassez de tudo
volta com cheiro de vitória.
Assim é meu povo forte
delicado e carinhoso
como o balanço harmonioso
das cadeiras
das mulheres guerreiras
no cotidiano de esvaziar as tulhas
lavar os panos, assear as casas.
Pirenópolis[Ode]
Ridamar BatistaPirenópolis não existe...
Tem um lugar no planeta
Entre os sonhos confusos
Destes que às vezes vivemos
Entre brumas e clarões
Inexplicáveis
De visões paradisíacas
Entre morros sombreados
Serpenteando caminhos
rumo a alma das águas.
Você sabe onde é?
Um sonho?
Sentir a água nascer gelada
dentro do côncavo de pedras milenares
Com cheiro de mato virgem
Cheiro xamântico
Das flores que brotam
do seco e das alturas
e se mistura ao odor
impregnado nas rochas
testemunhas de vidas, de sonhos
de sabedorias e de encantos.
Pirenópolis existe?
Minuto de êxtase,
Plenitude, magia e regeneração
De vida,alma e sentidos
Que se aguçam,
Bailam,
Entontecem.
Os olhos dançam
A visão não cansa,
Sobre os telhados
Bichos se multiplicam
Em orgia de criação constante,
As escadarias
De paus e pedras
Incrustadas nas orlas de seus morros
Fazem cascatas sonoras
No rodopio da alma de suas águas
Pirenópolis existe?
O perfume que emana de suas águas fáceis
Mistura ao vento dançarino que corre
De serra em serra,
Levando notícias a uns e outros
E suas águas cheirosas ensinam
Como é fácil nascer, crescer e viver.
Os Buritis que acalentam a visão
Ninho dos pássaros
Insólitos e paradisíacos
Os olhos das gentes não alcançam.
Uma carícia na alma
A certeza do toque aveludado
Daquilo que é e não se vê...
A vida.
Minha cidade...
Desconhecida dos poetas
Filósofos
Políticos e estudiosos
Navega às soltas neste planeta.
Não é a Rua do Laser
Nem a Ponte de Pedra
Rua do Sapo
Do Bonfim
A Ramalhuda
As cavalhadas, Pastorinhas
Histórias copiadas,
Suas pousadas, luxo.
Eu falo do clima,
Das águas que brotam fáceis
E escorrem para o norte
E enchem rios para o sul,
A energia mágica e natural
De sua posição em privilégio.
Incrustada no meio de um país
De sonhos e sonhadores
Pirenópolis existe?
E sua gente te desconhece...
[Com a participação de Ondimar, Esdras, Karine e Aymée...]---------------------------------------------------------------
biografia:
Ridamar Batista, nasci em Pirenópolis-Goiás. Sou poetisa, mãe e mulher e sou feliz por isso.
ridamarb@yahoo.es