Segredos da NoiteNegras ruas, sombrias ruasQue guardam segredos em suas esquinasNo silêncio quebrado sonhos disparamSaem soltos de mim para o corpo do outroLentes aumentam o desejo da vistaNão vejo, não sinto, se sinto partiu,Sinto o que outrora tocou a vidaRegistrou os passos na calçadaDe pedras inglesas.O cio dos rios acorda o libidoO colo do leito derrama desejosA seca dos mangues secam os ...
Segredos da NoiteNegras ruas, sombrias ruas
Que guardam segredos em suas esquinas
No silêncio quebrado sonhos disparam
Saem soltos de mim para o corpo do outro
Lentes aumentam o desejo da vista
Não vejo, não sinto, se sinto partiu,
Sinto o que outrora tocou a vida
Registrou os passos na calçada
De pedras inglesas.
O cio dos rios acorda o libido
O colo do leito derrama desejos
A seca dos mangues secam os meus
Aborta a vontade no cais da saudade
No cair da tarde que nunca veio.
Correm palavras soltas na língua
Deitam em ouvidos que só escutam e não ouvem
Entre ladrilhos e estrelas o céu se irrita
Talha meu leite e explode em mim um alvo engano.
Olhos me alcançam e despe meu corpo
Fronteiras de becos e longas estradas
De escritas latinas e desejos gregorianos
Que no corpo da noite suspira solitário.
Ando pelas ruas nas noites pardas
Tomando o silêncio e bebendo o orvalho
Não estou só nesse caminho negro
No emudecer da noite vozes me calam.
Corto a noite, madrugada agora,
Entre ruas de largas calçadas, vielas estreitas
De casas e sobrados que cochilam ou dormem
Misturando o cedro no amargo doce canto da língua.
Quantos passarão por essas esquinas
Carregando conflitos, amores, canções,
Cansaços roxos, poemas, sedentas seduções
Histórias presas nas solas dos sapatos?
A noite espia e guarda segredos
Os cachorros latem e guardam o faro
A coruja passa rasgando magia
Dos passos lentos que cruzam a aurora.
As folhas guardam palavras mortas
O vento espalha os pensamentos
Correm soltos nos ouvidos dos anjos
Que despertam as harpas, coro, canto.
Segue os homens como num encanto
Envoltos aos dedos dos pés seus quebrantos
Seus teoremas rosários do dia
Suas raízes quadradas no manto.
Ecila Yleus
Publicado no Recanto das Letras em 24/11/2008
Código do texto: T1300138PrometeuUm gesto abre portas,
Fecha o tempo,
Abre risos e momentos.
A face solta as rugas
E busca beleza no outro.
O charme fidalgo,
A pose ereta falam no silêncio,
A fumaça do charuto contínua e permanente,
Chama a atenção, implora covardemente.
A postura das mãos fala o que vai em mente,
Uma chama de cultura, um intelecto ocidente
Não há quem chame ou foi chamado
Há um elo desvinculado, uma pausa, um tempo
Que a história deixou num vácuo.
Há um olhar que pergunta,
Um olhar que responde,
Há um espírito intrigante
Que mastiga as lembranças,
Há uma canção que dorme no peito,
Que sai às noites e faz efeito,
Há uma vida por trás dos montes,
Que surge ,as tardinhas, como uma lua gigante.
Essência de vidro, essência de bronze
Ouro maciço ou puro diamante
Que faz indefesa a inocente Pandora.
Ecila Yleus
Publicado no Recanto das Letras em 14/10/2008
Código do texto: T1227852TELA FRIAA tua luz me prende nas noites enigmáticas,
Noites em que pinto o cenário com tinta fresca.
As mãos do tempo soltam ícones,
Caminhos de curvas a serem percorridos.
Que cheiro de tinta nova!
Tinta que agarrei com os dedos para pintar
Na tela fria teu rosto nu.
Pintei o alazão na cocheira,
A noite de lua cheia,cavalos desenfreados.
Tu seguiste teu rumo.
Passaram por mim a galope as mãos do teu passado.
O meu esplêndido e indomável animal partiu
Da serra do Mulungu para as terras de cimento.
Ontem a ausência do fogão de lenha, a montanha do sabugi
Foram deixadas pela distância e focada no imaginário.
Coloco na tela fria a fumaça do café quente, as lutas de raízes,
E a luz que me solta em mente.
Palavras mágicas vêm dos pombos da noite,
Trazem fragâncias soltas, sentimentos aguçados.
No fundo do quintal a roda de samba vara o dia
E o fogão de lenha mantém a chama.
Ecila Yleus
Publicado no Recanto das Letras em 26/02/2008
Código do texto: T876544biografia:
Ecila YleusMembro da Academia de Letras de Poços da Bahia.Formada em Letras com licenciatura em Português e English. Poeta desde a adolescência.Reconhecida pela universidade que fez seu curso e participante da Academia de Letras dos poetas mortais da própria universidade nos anos de 2002.
ecila_yleus@hotmail.com