Do livro OFICNAS DO CORPO [Brasil, 2002]:É O CORPO QUE PEDEÉ o copo que pedeE não a vontade.Este corpo fugidio,Amante das madrugadas.É o corpo que pedeE fogem a sina e o sonhoNesta tarde de calorPernambucanoDe mangaba, acerola e carmesinÉ o corpo que pedeA saliva e a canetaQue escrevem este versos,Tentativa de esquecer.É o corpo que pedeInsaciável c ...
Do livro OFICNAS DO CORPO [Brasil, 2002]:
É O CORPO QUE PEDE
É o copo que pede
E não a vontade.
Este corpo fugidio,
Amante das madrugadas.
É o corpo que pede
E fogem a sina e o sonho
Nesta tarde de calor
Pernambucano
De mangaba, acerola e carmesin
É o corpo que pede
A saliva e a caneta
Que escrevem este versos,
Tentativa de esquecer.
É o corpo que pede
Insaciável corpo
Não se contém com a luz
Das manhãs
E com as frutas proibidas
Do jardim
É o corpo que pede
É a vida que pode
A solidão que pede
O corpo no corpo
E a vida na morte.
28-05-03
NASCIMENTO DO POEMA
Este poema ganhou o 3º lugar
no 5º Concurso Poético da Biblioteca Popular de Afogados,
da Fundação de Cultura Cidade do Recife, em abril de 2002.
À Nélida Piñon
Este milagre dentro de mim
eu o trago em hábitos
de púrpura e linho.
Tudo que me cerca
é ouro e prata.
E são anteriores ao meu milênio.
Seguro o oceano
e tiro dele o segredo:
Vasos de barro em tecidos orientais.
Cavo a serenidade do abismo
em busca da pedra da saudade.
Trago nas mãos os afagos
das mãos dos soldados de Hitler.
Trago os ruídos de espíritos impuros
Perturbados com a harmonia
da miséria humana.
Poesia. Lágrimas no papel.
Vozes de marfim em mármore frio.
Poema nasce coberto de palavra.
10/08/98
DESFILE DAS MULHERES BRANCAS DE ITAPISSUMA
Mulheres brancas de Itapissuma,
Que levais em vossos ombros suados?
Beijos e choros dos homens
De vossas vidas.
Mulheres brancas de Itapissuma,
Queria ter a alvura de vossos turbantes
A coragem que puxa madrugadas
Arrasta horas em chãos lavados,
Mesa pronta, cama forrada.
Mulheres brancas de Itapissuma,
Este ônibus me leva
A caminhos seguros.
Para onde vão vossos carinhos,
Mulheres de turbantes brancos,
De alvos turbantes que escondem idéias
E frustrações.
Mulheres brancas de Itapissuma, foi a maré que limpou
Vossas mazelas,
Enchendo vossos seios de leite,
Vossas pernas de viço?
Dai-me vossos turbantes,
Mulheres brancas de Itapissuma,
Itamaracá, Igarassu.
Vossos turbantes alvos
Vão clarear meus destinos opacos.
biografia:
André Cervinskis é descendente de lituanos e nasceu em Recife, em 13 de maio de 1975. É mestrando em Lingüística [PROLING-UFPB], já formado em Comunicação Social - UFPE. Seu primeiro livro, Oficinas do Corpo [2002], está na segunda edição [2005]. Pelo livro Manuel Bandeira, Poeta até o Fim, recebeu a menção honrosa do Prêmio Vânia Souto Carvalho da Academia Pernambucana de Letras - categoria ensaio, 1994. Escreve desde a adolescência e tem, entre suas principais premiações, o Cancioneiro Infanto-juvenil para Língua Portuguesa, categoria 16-19 anos [1992], Lisboa, Portugal, 1992, além de dois prêmios no Gabinete Português de Leitura de Pernambuco [1992 e 1995]. Ultimamente, recebeu o Prêmio Antônio de Brito Alves [ensaios], da Academia Pernambucana de Letras, 2004 e 2008, como também o 3o lugar do Concurso Poético da Biblioteca Pública de Afogados, 2002, com o poema Nascimento do poema. Já participou do Ábaco, antologia da oficina de Lucila Nogueira de 1999, e Os Eus Poéticos, organizado por Anélio Souza [2004]. Colaborou com a revista Encontro, do Gabinete Português de Leitura, de 2000 a 2002. Escreve resenhas e críticas literárias para o Suplemento Pernambuco do Diário oficial do estado e para a revista Continente Multicultural da Companhia Editora de Pernambuco. Colabora desde 2005 com o suplemento literário Correio das Artes, do Diário Oficial da Paraíba [A UNIÃO] e com o site Interpoética [www.interpoetica.com]. Participa da União Brasileira de Escritores - Secção Pernambuco e da Sociedade de Poetas Vivos de Olinda.
acervinskis@yahoo.com