A HERÓICA SAPATADAAo fim dos seus ruinosos dois mandatos,Resolve o abutre-mor inconseqüente,Chegar até Bagdá, aonde seus atosDeixaram morticínio deprimente...Um jornalista adverso dos maus tratosImpostos pelo biltre prepotenteNo Iraque, direciona dois sapatosE o chama de cachorro delinqüente...Na ofensa contra o norte-americano,Mostrou-se bem heróico o muçulmano,Embora fosse amarga a recom ...
A HERÓICA SAPATADAAo fim dos seus ruinosos dois mandatos,
Resolve o abutre-mor inconseqüente,
Chegar até Bagdá, aonde seus atos
Deixaram morticínio deprimente...
Um jornalista adverso dos maus tratos
Impostos pelo biltre prepotente
No Iraque, direciona dois sapatos
E o chama de cachorro delinqüente...
Na ofensa contra o norte-americano,
Mostrou-se bem heróico o muçulmano,
Embora fosse amarga a recompensa
Da sapatada, com prisão, tortura,
Espancamento, abuso de censura
E desrespeito à livre ação da Imprensa.
Soneto 4630 - Jorge Tannuri - 19 de dezembro de 2008.GAZAQue importa democrática vitória
Obtida num pragmático escrutínio,
Se um povo é dizimado em morticínio
Por manu-militari peremptória?
Que importa Maomé, no vaticínio
Da crença muçulmana alcançar glória,
Se a vida do Hamaz é merencória
Com Gaza no calvário do extermínio?
Que importa existir ONU quando as guerras
Decretam-se, por ambições de terras
Tramadas pelos credos assassinos?
Que importa haver a Paz, se a humanidade
Condena à morte e priva a liberdade,
Na pátria dos heróicos palestinos?
Soneto 4635 - Jorge Tannuri - 31 de dezembro de 2008.O VERO EIXO DO MALUm eixo, para o mal, antes citado
Por Bush, o criminoso costumeiro,
No seu papel de estúpido guerreiro,
Não teve seu perjúrio comprovado...
Um vínculo deveras destinado
À morte, se apresenta sorrateiro,
Com Tel-aviv e Washington, certeiro
Em dizimar quem seja de outro lado...
Na ONU com o seu poder de veto,
Os norte-americanos dão concreto
Apoio contra a causa palestina
E as armas de Israel vão destroçando
Escolas, hospitais, gente... em nefando
Terror que desacata a lei divina.
Soneto 4638 - Jorge Tannuri - 2 de janeiro de 2009.GUANTANAMERASoneto 3817 – Jorge Tannuri – 25 de abril de 2006.Guantânamo, presídio americano,
Na costa de pictórica baía
E encrave do perímetro cubano,
Aonde prolifera a felonia
E o desrespeito hostil ao ser humano,
Com presos sem qualquer defensoria,
Mantidos sob o jugo de um tirano
Guerreiro, difusor da hipocrisia.
Recuerdos de canción, Guantanamera,
Muchacha y linda flor de primavera,
Embrujo en un piropo arrebatado...
Guantánamo, que fuera la belleza,
Es hoy una mazmorra y fortaleza
Del extranjero infame y perturbado.
LARANJA SELETASoneto 3801 – Jorge Tannuri – 9 de abril de 2006.Quando eras inda flor no laranjal, sedento
Olores pressenti de perfumosa sanja,
Mas ímpetos frenei na frustração do nanja
E a planta prosseguiu seu desenvolvimento...
Estás madura, igual dulcíssima laranja
Seleta, com sabor de eflúvio sumarento,
E fazes-me acender fogoso atrevimento
Na busca de emoções em que o prazer se esbanja...
Seleta sedução de exuberante viço,
Laranja, flor-mulher, entranhas que cobiço
Nas doces libações de há tempos esperadas...
Feliz maturação de mútuas gostosuras,
Nos gomos de ambrosia e gozos sem mesuras,
Em cada provação das ânsias rebuscadas.
HÁ...Soneto 3850 – Jorge Tannuri – 24 de maio de 2006.Há récordes de imposto arrecadado
E o povo sobrevive na inquietude...
Há nulo atendimento na Saúde
E o pão de cada dia está minguado...
Há tempos, o governo nos ilude,
Mentindo ser precioso o resultado,
Mas só num raciocínio retardado
Cai bem esta banal similitude...
Há pântanos nos leitos das estradas,
Há escolas que estão sendo abandonadas
E o ensino se degrada por inteiro...
Há crime organizado e insegurança...
E diante desta homérica lambança,
Pergunta-se onde vai tanto dinheiro.
BIOGRAFIAJorge Tannuri nasceu em 19 de maio de 1939, em São Paulo e com a tenra idade de um mês de vida, veio residir no Rio de Janeiro, onde estudou e constituiu família.
Seus estudos de terceiro grau foram efetivados na então denominada Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil, hoje UFRJ, aonde se formou em engenheiro-mecânico-economista em 1961.A especialização em Celulose e Papel Reciclado foi concluída na França em 1964.
A vida profissional desenrolou-se até 1997 e a partir de então, incrementou um hábito que começara tímido em 1976: o de compor sonetos.
Já publicou 12 livros e 38 livretos, todos registrados na Biblioteca Nacional e tem um acervo muito grande de novas publicações, pois hoje, 9 de março de 2008, está completando 4449 sonetos.
Jorge Tannuri jorgetannuri@superig.com.br