SACRO MANCHADO EM SANGUE E LÁGRIMANa noite escura sinto algo chorarSim vejo anjos chorando E em meio ao badalar de sinos Vão pingando As lágrimas dos choros divinosSim e meu ser pára Em meio catedral Vejo tantas catedrais E da branca pureza se escancara o malEm risadas de satanás Vejo anjos chorando Tantos sacerdotesOuço em prece as suas vozesA hóst ...
SACRO MANCHADO EM SANGUE E LÁGRIMA
Na noite escura sinto algo chorar Sim vejo anjos chorando E em meio ao badalar de sinos Vão pingando As lágrimas dos choros divinos
Sim e meu ser pára Em meio catedral Vejo tantas catedrais E da branca pureza se escancara o mal Em risadas de satanás
Vejo anjos chorando Tantos sacerdotes Ouço em prece as suas vozes A hóstia brilhando Na mão de santos fortes
Mas uma mancha avermelhada Tira o brilho alvo da santidade Se espalhando pelos bastidores Destes santos que são na verdade Nada mais que atores
Virgindades sangram Sangram como Cristo Hasteado em cruz Os demônios mangam E incrédulo assisto O obscurecer da luz
Votos vocações que vieram ao mundo Para dizerem que há no homem O espiritual além do animal Imaculado maculado, imundo, Transviado e desgarrado Desejo carnal
Purezas virgens sangram! Sangram! Como hóstia embebedada em vinho Vermelho sangue santo Na vertigem dos que as taças levantam Voam prantos Jorrando de espinhos
Pessoas que pensam tanto na eternidade Que se esquecem da longevidade Da breve vida Pra ser vivida casta Acham que é preciso apenas jejuar e rezar Para os instintos acalmar Não! Mas satanás Curvando como animais Diz não! Isso não basta
II
Banhado em lágrima e sangue Digo a Deus: Não deixa que o mau mangue De tua linda criação Mas a razão desse santificar precário É que castidade não se aprende em seminário É preciso latejar no coração Algo mais que sangue, mas que instinto Algo que na minha humanidade eu não sinto É preciso sentir vocação É preciso sentir amor pelo sacerdócio Saber que no casamento com a igreja não tem divórcio Nem muito menos traição É precioso não tratar santidade como profissão Que em qualquer curso pratico se ensina É preciso ter prazer Ao saber que santidade é sina
OS ANJOS CHORAM
Os anjos choram Nas noites friamente calmas Em que as almas Pedem e se perdem Os anjos choram Nas noites indiferentes calmas Em que os traumas Rendem e vendem As prostitutas novas E as drogas abrem novas covas
Os anjos choram Na frialdade da noite Em que as lágrimas rolam Ao açoite Lágrimas de meninos perdidos Choros por ninguém ouvidos E os anjos choram Ao ver a natureza E não poder comovê-la Ao ver na frieza O brilho de uma estrela E um castigo No seu brilho a morte de um mendigo
E os anjos choram Choram mais ainda Ao ver a noite linda Linda sem se comover com tanta dor Ao ver nas madrugadas As crianças abandonadas E os que vêm das farras Que viram admiradores de estrelas Para não velas Escuto o angelical gemer Diante de tamanho desamor
Mas na orvalhada noturna Eu vejo um pobre vendedor Já cansado da labuta diurna Dando para uma prostituta Um pouco do que ganhou Sem lhe cobra calor Nada lhe cobrou E eu já naufrago de tanta lagrima a cair Senti agora algo a sorrir Constantemente a pedir o que todos ignoram Faça o mesmo e mude o esmo Tire a farsa a venda e a mordaça Faça um anjo rir Porque os anjos choram
CONSTELAÇÃO
Conduzido num fogo ardente Entre mágoas te procurei E na profundeza da mente Eu vi que sempre te amei
E aí com a fúria de um algoz E a pena de uma mãe que perde um filho Tentei calar o verso e a voz O amor eu seu tão belo brilho
Mas fui dilacerado Não agüentei a dor de não te amar Tudo muda foge o meu passado Mas o amor fica no ar
E toda vez que respiro Toda vez que meu coração bate Enquanto sonho e vivo
Eu simplesmente deliro Na esperança de amar-te Ou na dor da qual me esquivo
Deixar de te amar é algo fatal É como receber um golpe na jugular É como ter uma ferida mortal Na eternidade da alma a sangrar
Eis que o amor me eterniza Como a sabedoria eternizou Quiron E cada passo que a minha ala pisa É tão sangrado que dá-lo é um dom
Pro centauro teve consolação Mas só você é o consolo meu E ainda se vira constelação Seria para iluminar o rosto teu
A solidão é tão cruel È o corte no meu coração posto A amargurar a eternidade de querela
Mas quem sabe se olhastes o céu E eu ilumina-se o teu rosto E fosse a tua estrela
Talvez assim abranda-se o meu fel E a minha vida teria um gosto Que seria iluminá-la e vê-la
biografia:
Zenildo Cezar Costa Ferreira é membro da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do RN, nasceu em Natal/RN, em 20 de março de 1991 e começou a sua longa viagem no mundo da poesia desde os 14 anos e possui como característica marcante em seu trabalho, o romantismo e a subversão. Tem publicado o livro \'Ai, ai, como é bom amar...\'