1 - CALMARIANa casa vazia ao sol clameiPor luz e calor esquecidosEm portas e janelas fechadasHá muito tempo perdidosNa casa vazia em vão busqueiPor um brilho de teu olharNem as estrelas fulgurantesCom mil fagulhas radiantesPoderiam se equipararClamei na casa vazia, esperei!Indícios de risos aconchegantesNem as musas de belas cançõesCom suas vozes mais delirantesD ...
1 - CALMARIA
Na casa vazia ao sol clamei Por luz e calor esquecidos Em portas e janelas fechadas Há muito tempo perdidos
Na casa vazia em vão busquei Por um brilho de teu olhar Nem as estrelas fulgurantes Com mil fagulhas radiantes Poderiam se equiparar
Clamei na casa vazia, esperei! Indícios de risos aconchegantes Nem as musas de belas canções Com suas vozes mais delirantes Devolveriam ao seu lugar
Na casa vazia ainda uma vez Anseio pelos passos e abraços Daqueles a quem tanto amei. Nem os sons mais suaves Mostraram o mais leve traço
Pela casa vazia ecoa a pergunta Onde se perderam os meus laços? Encontro o céu de nuvens juntas São elas as moradas esparsas? Procuro agora a fórmula mágica Capaz de levar-me ao espaço.
Olinda, 20/12/1999.
2 - MUITO MAIOR A SAUDADE
O que é saudade Senão ansiedade de voltar No tempo que se perdeu Longe de toda emoção Do amor que terminou Sem avisar sem perdão
Da louca vontade de rever Aquele lugar mais bonito Onde fomos muito felizes É a necessidade de ouvir Aquela voz mais querida De um alguém inesquecível
É a saudade de sentir Aquela carícia mais terna Ouvir o sussurro mais doce De um grande amor perdido O que pode ser a saudade Senão a dor do desamor
De quem nunca esquecemos Apesar da toda distância De todos os obstáculos Do passar de todos os anos De todas as queixas e mágoas Ainda resta aquela saudade
E a duradoura sensação Resistente e teimosa ilusão De que falta para ser dita Uma palavra mais bonita
Capaz de reacender a paixão É a falta do beijo mais longo Aquele que sempre deixa Muito maior a saudade.
Olinda, 11 de outubro de 2006.
3 - PETER PAN
Ainda quero rever um dia Espero que esteja próximo Neste mesmo espelho mágico Onde há hoje apenas exibida A eterna máscara tristonha E tão repetida.
Um dia eu a busquei risonha Em vez disso ei-la sem graça E tão enfastiada.
Quisera um milagre Transformá-la em nova criança Cativante e sincera De novo, viçosa primavera.
Recobrado o autêntico sorriso Banido agora de seu rosto sério Apertado entre as mãos Tal máscara de gente grande Esquecida de infância.
Sonhei vê-la livre Entretida nos brinquedos Fantasiada de princesa Do reino da alegria sem segredos
À espera do momento mágico Em que a nuvem reaparece No galope do cavalo branco De São Jorge e sua espada brilhante.
Contra o inimigo, monstro dragão Longe! De sonhos mal vividos De tristes horas solitárias Longe do tempo comprido O feio tempo de brincar de gente grande.
Olinda, 03/10/1998.
4 - QUINZE ANOS DEPOIS
Quando voltares para casa Estarei na cama dormindo Toda a mobília renovada E nossas crianças sorrindo
Quando voltares para casa Acharás a mulher perfumada As panelas sobre o fogão E todas lâmpadas apagadas
Quando voltares para casa Notarás a família reunida Todas as janelas abertas E teus filhos cheios de vida
Quando voltares para casa Todos ouvirão indiferentes Os teus passos na entrada Ninguém pulará de contente
Quando voltares para casa Pensa direito um instante Antes de desfazer tua mala Para um detalhe importante
Quando voltares para casa Sem afago no cabelo revolto Diante da fechadura trocada E do novo cachorro solto.
Olinda, 19/2/2007
Biografía:
Conceição Pazzola é Maria da Conceição Cardim Pazzola, nascida Cardim de Carvalho na cidade de Paulista, em Pernambuco [Brasil]. Adotou Olinda como seu lugar, depois de viver durante oito anos na Cidade Maravilhosa de onde voltou com o marido italiano de nome Giovanni [já falecido], com ele passeou pela bela Itália em 1990. Além de mãe, avó e bisavó, é graduada em Comunicação Social e Pedagogia. Trabalhou como comerciaria por mais de trinta anos e hoje é aposentada, tem tempo para se dedicar ao que mais gosta de fazer, escrever ficção e poemas.
Escritora e poeta desde menina, já publicou por conta própria quatro livros, um de memórias e três de ficção. Participou da Bienal do Livro em 2006, em Recife e da Antologia 2007 dos Poetas Independentes, o grupo virtual do mesmo nome. Tem trabalhos publicados nos sites Garganta da Serpente e Interpoética.
Na sua homepage http://mariaescrevinhadora.blogspot.com publica poemas, contos, sinopses de livros e fotos.