Cláudio Bento
Cláudio Bento nasceu na cidade de Jequitinhonha, nordeste de Minas Gerais, No ano de 1959. Seus pais, Maria da Conceição Bento Gonçalves e Euplínio Rodrigues de Sousa.
Fez os primeiros estudos no Grupo escolar Nuno Melo em Jequitinhonha. Começou a publicar seus livros de maneira independente e artesanal no início dos anos oitenta na sua cidade natal.
É poeta, compositor e produtor cultural, tendo participação ativa no movimento cultural
Do Vale do Jequitinhonha. Trabalha ministrando oficinas e cursos literários em escolas públicas, feiras de livros, salões de livros e festivais de arte e cultura.
Possui alguns livros publicados, entre eles, Inventário da infância, Cheiro de jenipapo e Jequitinhonha e outros poemas.
A CIDADE E AS CANOAS
Minha cidade mistura-se às canoas
Ao vento que varre a orla do rio
Minha cidade é lama e barro das enchentes
É pedra preciosa no oco do chão
Minha cidade é areia branca de praia sem fim
É água ribeira sino de igreja rua de terra batida
Minha cidade é o sobrado colonial
Sob o sol das tardes de verão
Minha cidade é passado
Minha cidade é saudade
Minha cidade é quimera
Fotografia em sépia pendurada na parede
A CASA ILUMINADA DE SOL
A casa iluminada de sol
Amanhece
Como amanhecem os pássaros
O sol ilumina o chão de terra batida
Ilumina uma antiga peça de barro
Do mestre Ulisses de Itinga
Ilumina as paredes gastas
As frutas sobre a mesa da cozinha
as roupas jogadas
Sobre a cama
A casa iluminada de sol
Desamanhece em auroras
Depois anoitece
Confeitando estrelas
FOTOGRAFIA ANTIGA
Não segui os conselhos de Drummond
Faço versos sobre acontecimentos que só interessam a mim
Principalmente faço versos sobre a minha cidade
E minha cidade continua sendo uma fotografia antiga pendurada na parede
Minhas confissões nada revelam
Acontecimentos extremos a muito não acontecem
Permaneço impávido
Engolindo e vomitando outras paisagens
Fazendo versos
Como quem ri