Com paixão com o que nos falta:a vida,a liberdade, o corpo,a língua,o riso,o carnaval.Com paixãocom o que nos une:o máximo, as paredes, a estrutura.Com paixãocom o que nos corta:a escolha, o massacre, a rotina.Com paixãocom o que nos define:o bordado, o toque, o sutila dor.Com paixãocom o que nos cega:a chuva,a lágrima,a verdade,Com paixão com o que nos divide:a razão, o medo, a queda, o ...
Com paixão com o que nos falta: a vida, a liberdade, o corpo, a língua, o riso, o carnaval.
Com paixão com o que nos une: o máximo, as paredes, a estrutura.
Com paixão com o que nos corta: a escolha, o massacre, a rotina.
Com paixão com o que nos define: o bordado, o toque, o sutil a dor.
Com paixão com o que nos cega: a chuva, a lágrima, a verdade,
Com paixão com o que nos divide: a razão, o medo, a queda, o pecado, os filhos, a costela...
Com paixão com o que nos eleva: as flores, a seda, a estrada do bosque...
Com paixão com o que nos faz ser: a renda, a cama, o ventre.
Com paixão com o que nos faz crer: a palavra, o pão, o milagre.
Com paixão com o que não nos deixa viver: o tédio, a ruga, as ruas, o fogão.
Com paixão com o que nos explode: a loucura, os monstros, o lobo mau, o tempo e o espelho...
Com paixão com o que nos vivifica: o mito, a fé, o sangue.
Com paixão com o que nos assusta: a paixão, o esmalte vermelho, o olhar profundo, expressivo, inesquecível, o perfil de um Deus grego, a vida, o riso, o carnaval, o vinho, a carne, a ternura e a liberdade...
Coisas que só existem em almas com muita paixão!
Em 25.03.06
Para as mulheres de pedra...
Cansei de ser pedra, cansei de ser alicerce, muralha, rocha... coisa dura, que bate e volta; que resiste.
Quero ser água, suave e delicada, livre, transparente de alma, olhos, sentimentos, sem amarras, represa, nem margens. Quero ser fluido, gota serena, água de cheiro, onda sem espuma, córrego límpido, cascata em montanha!
Quero ser ar, brisa frágil,, sem corpo, sem forma, levante de areia. Quero perder-me em vôos plenos, arremeçar-me em espaços livres, céu aberto... ser vento encanado!
Quero ser tudo, menos força, coragem, batalha! Também não quero piedade, nem ares de vítima. Quero ser leve... Não menos que a folha seca. Quero ser livre... Não menos que a fonte que jorra.
Cansei de ser forte; procuro braços firmes para meu rosto encostar.
Cansei de ser rumo; procuro caminhos novos para meus pés afora soltar
Já fui rocha, já fui intacta, venci tormentas, terremotos, vertigens.
Mas quero a paz de uma rajada de vento, quero a suavidade de um fio d'água escorrendo, em mim, de mim, por mim.
Quero ser vento, quero ser água Cansei de ser pedra!
Por que amo ler - hoje
A palavra que vem do Outro... A enorme procura. A ânsia de viver outras vidas, de não ser eu mesma, mas, ao mesmo tempo, ser, sem ser a mesma...
Um amor despertado em páginas-mundos agitados, removidos, rememorados, transportados para outra esfera, que me trazem para o aqui, o agora e o porvir, também.
Enxergar melhor o que em mim é o mesmo, o diferente, o disperso, o ausente, o silêncio. Em lendo, emergir na voz interna que grita: 'Corre, vá, mundo afora...' Embora esteja presa neste corpo que apenas gira a página.
Em lendo, transformar-me em tudo. Embora os olhos se retraiam, míopes, cansados. Outros olhos, não mais perdidos: Só brilho, encanto, mito.
E as palavras? Lendo-as, torno-as minhas, Recebo-as em pensar, em colheitas fartas, Em compartilhar. Escrevendo-as, retiro de mim o que me doaram. De um jeito entraram, de outro jeito saem: fluidas, mágicas, plurais em tom, rimas, canto e coro.
Lendo-as, relendo-as, um amor eterno, juvenil, antes mítico, hoje