PRETO NU BRANCOTudo bem ocultoSob as aparênciasDe água-forte simples:De face, de flanco.O preto no branco.Manuel Bandeiranão leiade arranco:opresso éo poema: ecomas a poesiasaltado branco- ecco!tato nas tetas- e aproveite:sãocompassosos pretosdispersosnubranco retretasleite submersoDE CÉU E NUVEMPoesia é falar sozinhoMário Quintanapois é:do ocasode céu e nuvemcaída do acasovemsem véuve ...
PRETO NU BRANCOTudo bem oculto
Sob as aparências
De água-forte simples:
De face, de flanco.
O preto no branco.
Manuel Bandeira
não leia
de arranco:
opresso é
o poema:
eco
mas a poesia
salta
do branco
- ecco!
tato nas tetas
- e aproveite:
são
compassos
os pretos
dispersos
nu
branco
retretas
leite
submerso
DE CÉU E NUVEMPoesia é falar sozinhoMário Quintanapois é
:
do ocaso
de céu e nuvem
caída do acaso
vem
sem véu
vem
nuvem
pois é
nuvem
peso
pó poesia
pois é um vôo em vão que se desvela
e resvala
sentinela
inconstante
coisa
de momento
coisa
que cala
pois é
poesia
um cantar pra dentro
um falar sozinho
coisa
que passa
pó
fumaça
passarinho
coisa
que passa
que não se liga
mas cala baixinho
e fala
e fica
AGUARDE SUA VEZah! era uma vez
aquela história
que sempre demora
horas, ora-ora
dentro da memória
de que era uma vez
um país: um dois três
onde quem não come
não tem mesmo vez
só números-nome
tanto faz tanto fez
fez não fez fé fezes
do rabo das reses
do bumbum do país
torcendo o nariz
há muito não sai
sal mingau ou sopa:
nada dali cai
nada vem da boca
um dois três e tome
um dois três e fome:
fome: três dois um
e resta um segredo
qualquer, qualquer um
rerroer o dedo
outro, outro: quatro
e cinco e o sapato
já comido pelo
rato, um barato
um só pesadelo:
nós, sola e cadarço
reses e meninos
já, aqui, no laço
roídos, franzinos
ora, ora-veja
assim é e seja
um país, dois, três
ah, essa não vez
era uma vez: ah!
biografia: Ronaldo Werneck Poeta e jornalista, crítico de artes e cronista, Ronaldo Werneck nasceu em 23.10.1943 em Cataguases, Estado de Minas Gerais, Brasil. Co-editor/fundador de O Muro [1962], SLD [1968], Totem [1974] e Cataguarte [anos 80/90], jornais do movimento de renovação/experimentação literária de Cataguases. Nos anos 60, integrou o grupo do Poema Processo e foi um dos organizadores do Festival Audiovisual de Cataguases [música & poemas visuais] em suas duas versões [1969-1970]. Morou por mais de trinta anos no Rio de Janeiro. De volta à sua terra em 1998, passa a assinar a coluna de crônicas 'Há Controvérsias', no jornal 'Cataguases'e no jornal 'Liberal', de Cabo Verde. Atualmente, é Diretor de Comunicação do CINEPORT- Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa. Editou cinco livros de poemas-solo, 'Selva Selvaggia' [1976], 'Pomba Poema' [1977], 'minas em mim e o mar esse trem azul' [1999], 'Ronaldo Werneck revisita Selvaggia' [2005] e 'Noite Americana/Doris Day by Night' [2006]. Em 2001, gravou em show ao vivo o cd 'Dentro & Fora da Melodia - Que papo é esse, poeta?'. Em 1997, lançou 'Cataguases é Cachoeira', homenagem aos 100 anos do cineasta Humberto Mauro. Está para lançar novo livro poemas, 'Minerar Nu Branco', e um novo e longo ensaio sobre Humberto Mauro: 'Kiryri Rendáua Toribóca Opé'.
roneck@ronaldowerneck.com.br