O Bico e a Pena[Ana Rita Magalhães]O bico e a pena contam-lhe os dedosE o sorriso flui nos vidros cirandados.Delicada gramatura e vida na ponta dos lábios.Arcanos aguados no escuro e no claro- o espírito e ferrolho nos traços.Outrora, pincéis calados batizam tintasnas mãos ressecadas e folhagens são tenras cúmplices, de sinceras telassussurra ...
O Bico e a Pena [Ana Rita Magalhães]
O bico e a pena contam-lhe os dedos E o sorriso flui nos vidros cirandados. Delicada gramatura e vida na ponta dos lábios. Arcanos aguados no escuro e no claro - o espírito e ferrolho nos traços. Outrora, pincéis calados batizam tintas nas mãos ressecadas e folhagens são tenras cúmplices, de sinceras telas sussurrando às sombras das paredes internas. O arame forma-lhe à história e o gesso a própria forma olvida. O ouro sincero bebe o nome na curva e no gesto. Na borra, a dança quase pronta. Na terra, o vôo prometido. E a pincelada vinga a curva da rosa e a fenda da tulipa. O carvão jamais confessa o gozo e o pastel traça plena, a fêmea: Vem... Olha-me de novo.
A Campa da Tarde [Ana Rita Magalhães]
A campa da tarde contou-me a morte de dezembro. E uma catedral barulhenta tomou-me a tenda.
O terço vazio falou-me lendas e ganchos aos pés. A queda do vaso no verso é um breve momento de oração, um descanso em gesso
nesse corredor estreito. Sou a ironia dos pêssegos de janeiro num altar que desconheço.
E um céu macerado que não entendo escorreu-me pela boca. Mais uma vez minha lamparina ardeu.
As Falas de um Cão [Ana Rita Magalhães]
Estante de nadas vagueiam espaços de janeiro. Nas entrelinhas falácias profetizam o instante do último quadro. As falas de um cão — o nanquim de um março. E o embaraço dos pincéis não foram ao acaso. Ladrou o corpo e o espaço Deitou calado ao meu lado.
biografia: Ana Rita Magalhães Nascida em Ribeirão Preto, interior de S. Paulo, Brasil. Apaixonada por Arte em todas as suas formas de expressão.