ALENTO VITALA solidão que me aquece a almaIncendeia-me a verve adormecidaCom palavras que o coração preserva.Trazendo o Bem ao espíritoQue silente me acalma.Na labareda do verbo radianteCultivo flores e danço nua ao luarFabricando amores e lumes avivando.Trazendo o Amor ao espíritoQue me inspira, confiante.No tresvario da noite mal dormidaFormando duo com ...
ALENTO VITAL
A solidão que me aquece a alma Incendeia-me a verve adormecida Com palavras que o coração preserva.
Trazendo o Bem ao espírito Que silente me acalma.
Na labareda do verbo radiante Cultivo flores e danço nua ao luar Fabricando amores e lumes avivando.
Trazendo o Amor ao espírito Que me inspira, confiante.
No tresvario da noite mal dormida Formando duo com o exaurido pranto Acendo versos em badaladas.
Trazendo Aventura ao espírito Que me alegra a vida.
Na inocência de um puro sorriso Abraso a poesia e o encanto Aspirando ao belo e inspirando o lirismo.
Trazendo a Arte ao espírito Na esperança que cultivo.
A DEFESA POÉTICA
Invertes meu interior Mostrando-me o avesso da memória Onde bebo o sangue derramado em lágrimas E absorvo, da matéria revirada, A eloqüência para compor Essa disfarçada elegia.
Promover o conceito Que te levará a elucubração Só necessária ante o perdão elege-me, Embaixador da Desculpa Com Humildade. Mas, recorda-te? É a Remissão dos Pecados Que nos une em Cristo.
Perdoa o meandro mefítico. E volta... Há de te acolher o Amor Nos braços da Reconquista Recrudescendo carinhos, Dissipando dúvidas E as pazes fazendo.
Expulsarás assim os dejetos Da denúncia invejosa Oculta em faces rosadas Que primam em desmantelar Romances perfeitos.
E eu, em contentamento, Alio à gratidão, A vital essência da existência, O desvelo pelo ser humano.
A FUGA ILUMINADA DA RAZÃO SONORA
No rumo da louvação Assumo a minha loucura Espalhando o canto E perco a nota da sanidade.
Num Dó Maior mal-entendido Tresloucado entrego-me Ao solfejo.
Pois no principio Havia apenas o silêncio e o vazio Mas veio a natureza e mostrou-me Nas cores da primavera O mavioso canto dos pássaros Lembrando o amor Que nasce produzindo um som Só ouvido por quem ama
E eu amo... E no meu amor se faz música, Luz e dia. E a canção que entôo Por si só gera encanto Despertando um Orfeu apaixonado Em busca de sua Eurídice Ou acalmando os argonautas
E eu canto... Mas ainda busco A poesia que se pode cantar Silenciando as sereias Das iluminadas noites de Gaia. E que, como um suspiro de brisa emocionada Façam de meu ensandecido trautear Uma canção pungente Que apenas multiplique o som no vento.
biografia: Lígia Maria Ribeiro Martins Saavedra Cantora e compositora, poeta e escritora, há 26 anos encontrando-se com a Arte em quase todas as suas formas de expressão.