A AMÉRICA Há 3 Américas na América. Nenhum Pai, nenhum Filho, nenhum Espírito Santo. A tua América não é a minha América. A tua América inventa os dias com autômatos humanos robôs e linhas de fabricação em série unicamente para multiplicar Dinheiro.A minha América amanhece sem o pã ...
A AMÉRICA
Há 3 Américas na América. Nenhum Pai, nenhum Filho, nenhum Espírito Santo.
A tua América não é a minha América. A tua América inventa os dias com autômatos humanos robôs e linhas de fabricação em série unicamente para multiplicar Dinheiro. A minha América amanhece sem o pão de cada dia sem emprego e sem teto, criança esmolambada pelas ruas.
A tua América entardece com banquetes de sol e sexo e o esbanjamento criminoso de edificações de luxo. A minha América vagabunda nas esquinas e bocas de lixo de cidades fétidas anda a pé pelas tardes e o sol é só uma estrela que os seus homens não podem comprar e prostituir como os teus objetos sexuais.
A tua América invade a noite com orgias e carnavais e farras astronômicas sataniza Pai Mãe e Filho drogados nas avenidas bancárias e no comércio fabricante de exércitos de armas e mortes Para um Deus da República de Nova Iorque.
A minha América chove e inunda Suas ruas pequenas e seus casebres. É preta e índia sem direito à luz elétrica não tem João nem José para ir à Guerra adora a Lua como um astro e uma Mãe e não como um satélite da Terra à venda.
A tua América mata A minha América morre A tua América escraviza A minha América liberta A tua América é rica e poderosa A minha América é miserável e aviltada A tua América é uma puta decrépita de séculos e túmulos A minha América ainda vai nascer
Há 3 Américas na América ? Há só uma América de sonho e esperança.
EM NOME DO BRASIL
Pronuncio teu nome com fé e orgulho de verdade de outro modo trairia o sangue e um homem não trai ninguém um homem não trai o Pai e a Mãe e um filho sem fé e orgulho não existe Vivo pela tua terra elo natural da minha existência nome primal intraduzível e belo : o que é a palavra Pátria a palavra Nação a palavra País diante do teu nome ? Tu és vital como toda água atlântica eterno como o fogo dos dias de todos os tempos um céu continental verdeazul pulmão planetário nos ares da Via-Láctea. Sou brasileiro e não sou melhor do que és não me ufano de mim como se não tivesse origem e descendência sou tua seiva teu sangue tua carne teu corpo multiplicado tua alma coletiva.
Existo porque me criaste com milhões de irmãos iguais todos índios brancos e negros todos morenos abrasados como a pele do teu sol todos morenos claros como a pele da tua lua. Sonho grandezas e esperanças da tua dimensão tenho alegria pelos teus dias para viver anos séculos milênios mais humano e mais feliz para viver tua poesia de paz tua música de amor teu desenho de cor tua pintura natural teu teatro guarani teu cinema pindorama e tua juventude invejável. Desejo mais do que viver nunca morrer como não se apaga a luz e as trevas não vencem a História porque nascemos para a Eternidade e a Humanidade se identifica em ti se identifica em tua sorte amanhece com as tuas esperanças e sonha a bandeira brasílica do teu sorriso com o hino americano da tua fraternidade e do teu futuro.
QUANDO A GENTE AMA [Poema para Márcia]
Quando a gente ama Mil formas de querer O corpo proclama Os dias se inventam De sóis infinitos Tardes são feitas De horas benditas E as noites se enfeitam De estrelas ardentes Um brilho sem fim Explode olhares As carnes inflamam Peles luminosas E só alegrias Os corações festejam Nascidos de novo Vividos eternos No tempo dos beijos Na amplidão dos abraços No fulgor das carícias Nas galáxias do gozo No prazer sem medida A vida é mais vida Quando a gente ama.
Biografia JUAREIZ CORREYA nasceu em Palmares [região Mata Sul de Pernambuco] no dia 19 de setembro de 1951. É diretor editorial da Panamerica Nordestal Editora, do Recife[PE]. Publicou o livreto Americanto Amar América & Outros Poemas [Recife, 1975], o livro Americanto Amar América [Recife, 1982], e o álbum, com quadrinhos desenhados por Roberto Portella, Americanto Amar América [Recife, 1993]. Publicou ainda estes livros de poesia – O amor é uma canção proibida [Recife, 1979], Coração Portátil [Recife, 1984/1999] e, em parceria com José Terra, Poesia do mesmo sangue [Recife, 2007]. Organizou e publicou as antologias Poetas dos Palmares [Palmares, 1973/1987/2002], Poesia Viva do Recife [Recife, 1996], Arraes na boca do povo – cordéis e repentes [Brasília, 2007].