POESIA Á FEDERICO GARCIA LORCACarmen Lúcia FossariEm ternura tuas palavrasAinda ressoamEcos, e, se tuasAs palavrasporque desvendas e,por teu sentimentoRevelam-se, são nossasAs palavrasQue precisamos ouvirE evocam também asNossas “veias abertas”E, então vem à cena:“ LA BARRACA”Nos bairros e vilas camponesasEis o lazer pensante,Chegando cedinhoAntes mesmo que aNova ordem socialTragaSop ...
POESIA Á FEDERICO GARCIA LORCACarmen Lúcia FossariEm ternura tuas palavras
Ainda ressoam
Ecos, e, se tuas
As palavras
porque desvendas e,
por teu sentimento
Revelam-se, são nossas
As palavras
Que precisamos ouvir
E evocam também as
Nossas “veias abertas”
E, então vem à cena:
“ LA BARRACA”
Nos bairros e vilas camponesas
Eis o lazer pensante,
Chegando cedinho
Antes mesmo que a
Nova ordem social
Traga
Sopa quente
A todas as mesas,
O teu Teatro, chegou
Trazendo vida à quem
Tem que ter esperanças!!
E,o outro tempo, que
Também passará...
Há de chegar breve,
E vai soprar nos ouvidos
Em sussurros
LIBERDADE
[carícia comum]
Olho agora teus olhos
Negros,
Tão negros e belos
Que não conheci,
Mas que os vejo, emergem
Impressos, fotografias
E, eles ainda falam
Mesmo, depois de serem fuzilados,
se alam do papel memória e,
Contam as nossas incontáveis
Desesperanças.
Só estes teus versos fortes
movimentam e penetram
E dizem que a força do trabalho
De sol a sol, dos homens, das mulheres,
E [que horror] das crianças,
Silenciam gritos!
Só eles falam à todos nós
De que é inabalável o movimento
Do movimento
Que chega da força coletiva
Para que este mundo, do não
Seja ontem.
Agora choras porque te roubam
A tua vida
E os teus olhos negros se fazem silêncio.
S i l ê n c i o
Mas as nossas vozes de trabalho, não te silenciam
E, gritamos ensurdecidas,
ensurdecidos, até que
Por tuas palavras resgatamos
Que há outro caminho, por onde caminhamos
E caminhamos em ti abraçados
LORCA, LORCA!
....continuamos.
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Ode a Evo Morales, Primeiro Índio Presidente Por Carmem Fossari - atriz, dramaturga e diretora teatral.DOS COBRES DESCOBERTOS
SEMPRE NAS MÃOS DO ESTRANGEIRO
DA FOME FINCADA NA MÃO DE OBRA
BARATA
DAS ENGRENAGENS NOS NERVOS
AOS CORAÇÕES TRITURADOS
NOS ROSTOS A FACE TÃO CERTA
SUDORES GRITANDO SILENCIOS
OS NEGROS CABELOS
QUE AO SOL BRILHO E SEDA PARECEM
CAINDO ASSIM SOBRE CORPOS
COBERTOS DE CORES, DE LÃS
PROTETORAS
DO FRIO DE ALTITUDES INDORMIDAS
NAS TERRAS QUE SENDO SUAS
DO ESTRANGEIRO INVASOR
AOS PÉS SE LHE AFUNGENTARAM
E ALÍ DE ESPREITA FICARAM
VENDO A FESTA ESTRANGEIRA
DOS DE LONGE INVASORES
MUITOS TÃO POBRES DE SINA
AMALGAMARAM OUTRA VIDA
DOS OLHOS E MÃOS SE ENCONTRANDO
QUE TÃO DESPROVIDOS DAS TERRAS
AO VENTO SEUS CORPOS CRUZARAM
DE SILENCIOS NACERAM OS FILHOS
REPLETOS DE VOZ SUFOCADA
OLHANDO ALÍ NO INFINITO
AQUELE CAPAZ DE SONHAR INCERTIDUMBRES
DOS FRUTOS QUE FRUTO MATARÁ A FOME?
QUE LÍNGUA FALARÁ MEU NETO?
QUECHUA, GRARANÍ ?
FORJADA OUTRA LÍNGUA A FALAR ESPANHOL, PORTUGUÊS
QUANTAS NAÇÕES DIZIMADAS
INCA MISTÉRIO E IMPÉRIO
MAIASTRONOMIA E FORAM OS MIBIAS, BOROROS,MUISCAS, E CENTENAS DE NAÇÕES DITAS ÍNDIAS MILHÕES MORTOS A FOME, FACADA, FOICE
FÉ IMPOSTA O ESTRANGEIRO SE FEZ DONATÁRIO
IDO FOI O TEMPO
DAS LIBERDADES
FORMAS TÃO DIFERENTES DE AMAR,
O VIVER SEM CONTAR POSSUIRES
EDUCAR E BRINCAR COM SEUS FILHOS
E PENETRAR NA MATA VIRGEM
E CONVERSAR COM ANIMAIS
E DOMINÁ-LOS SOBREVIVENCIAS
E MANTER VIVA AS ESPÉCIES
SOCIEDADES DAS TERRAS
PRÉ COLOMBINAS
TUDO SEU TODO EM ENTORNOS
A MESMA HISTÓRIA DIVERSA
MERGULHO E NUDEZ DE UM RIO
TAMBÉM HÁ DOMINAÇÃO
UMA NAÇÃO
SE IMPONDO NO DOMÍNIO DO SABER
COBRANÇA DE BENESSES DE OUTRAS NAÇÕES MENORES
É VERDADE IMPÉRIOS NEFASTOS SÃO
É VERDADE
AS OUTRAS
CONTINUAVAM NAÇÕES
FALANDO SUAS PROPRIAS LÍNGUAS
DANÇAVAM SUAS PRÓPRIAS DANÇAS
RITUALIZAVAM SEUS DEUSES
SEUS SÁBIOS SENTENCIARAM A LUA CHEIA
BRILHANDO NOS RIOS
E MAR ABERTO
CLARENDO OUTRA ROTA
PESCAR EM OUTRO RECANTO
DEIXANDO NOS SAMBAQUIS
FOTOS TRIDIMENSIONAIS
DE UM TEMPO GEOGRÁFICO
PARA ALGUNS ESTAR NOMADE
ERA A SOBREVIVENCIA
QUEM SABE DOS AFETOS
DOS DESAFIOS DE ESTAREM ATENTOS
AFINAL BREVE SEMPRE É A VIDA
E DOS PÉS CAMINHANDO AMÉRICAS
UMA ESTRADA AVIZINHA NAÇÕES
UM SONHO
UMA UTOPIA
O CORAÇÃO SE HARMONIZA
HÁ O OUTRO DIA QUE CHEGA
SE O CAMINHO DO ESTRANGEIRO
PASSADOS 5 SÉCULOS SÓ ELE PODIA PASSAR
JÁ NÃO MAIS !
SENHORES
ASSOMAMOS ESTA ESTRADA
NADAMOS NESTE RIO CAUDALOSO
DE SANGUE
DORES
SILENCIOS
MAS DELE EXTRAÍMOS OUTRA SEIVA
NOSSOS PÉS PISAM ESTA ESTRADA
AS NOSSOAS MÃOS CONSTROEM ATALHOS
PRECISAMOS MERGULHAR NA TERRA AS MÃOS
IMEMORIAIS DOS ANTEPASSADOS
NOSSO COBRE, NOSSO OURO, NOSSA PRATA
NOSSA MATAS
NOSSO ORGULHO LATINO AMERICANO
É O POVO NÃO MAIS SENHORES
A CAMINHADA VEM DESDE OUTRA ESTRADA
A ALCANÇARMOS EM SONHOS
FOI OUTRO DIA SONHANDO COM UM CAMARADA
QUE AMAVA NOSSA PELE INDIA, NEGRA, MORENA
SIMON BOLÍVAR FOI UM NOME, VIERAM TANTOS OUTROS
UM COMANDANTE DE ESTRELAS E SONHOS DOS ARGENTEOS
PAMPAS GUEVARA SEGREDOU QUE ERA POSSÍVEL
ATÉ QUE UM DIA
NA MAIS INGREME NOITE
TODAS AS MÃOS UNIDAS TOCARAM NA BORDA DA LUA
REFLETIU-SE ESPELHO
NOSSOS ROSTOS ÍNDIOS LATINO AMERICANOS,
NOSSAS IMAGENS DE ALMAS SILENTES
ECOAM OS SONS , TÃO FORTES E DOCES
DAS FLORESTAS AS RUAS DE VILAREJOS E CIDADES
ONDE ESCONDIDOS DE NÓS MESMOS VIVÍAMOS
AGORA ALI REFLETIDO
UM NOME ALCANÇA NUVENS
E DESCE A MAIS CÁLIDA CHUVA
ESTAMOS TODOS ALÍ
CORTOU A NOITE MAIS DENSA
ECOA O DIA CHEGANDO
POR NÓS QUE SEGUIMOS A ROTA
DE ESTRADAS TÃO TORTUOSAS
EVO MORALES
CHEGAMOS NA OUTRA MARGEM DO RIO.
Carmen Lúcia Fossari .Em 9 de Febrero de 2006
FLORIANÓPOLIS, Isla al sur de BRASIL-----------------
Águas de Fim de MarçoCarmen D.Aranda FossariÁ água
Busca sua cova
Seu remanso
Sua corredeira
Se ,em espera
Ao ar se evapora
Desde que lhe toquem
Raios do sol
Outro dia pensei-me água
Mas, nas corredeiras que me busco
Não estão, feito às águas, a descerem das,
Terraças Incas,
E dos morros descidas
A terra a se irrigar
Nem as da vastidão dos oceanos
Como um manto azul sobre a terra
Dando-lhe o gosto de sal
E brincando nas beiradas
De praias de ir e vir
E virando-se em ondas
E tubos
Pra alegrar a quem em surfando
A paixão deleita
De pé, deslizando
À praia
Nem de circulares formas dos lagos, lagoas,
Como doces a beijarem a boca
De sabor aquoso que refresca
a noite mais quente
Nem as da correnteza, que desce,
Do rio nascido da fonte
E do leito a ganhar seu volume
Talvez, de toda chuva,
Apenas uma gota caída
Talvez da geada uma pedrinha
A rolar
Enquanto não desmanchada,
Quem sabe um pouco mais,uma poça
Da água restante do temporal
Ou ainda o fio a cair da torneira
Caindo na panela
Que espera paciente
Completar-se
Não sei em que água
Reflito, ao luar, um espelho
De estar
Sei que tenho sede
E, todas as águas,
Deságuam longe
Nem minhas mãos alcançam
Feito conchas a buscar
Aquela porção
Capaz de saciar a sede que tenho
De ser água
Então, estaria eu ,
Em chuva cair
Adentrando nas flores
Batendo ao vidro da janela
Escorrendo gota a gota
Até formarem uma névoa
Tão aquosa
Onde a escorrer em água meus olhos
Te encontrariam, desde o afluente
Sete rios.
E, em água feita
Minha sede finda
Buscaria os tentáculos da água viva
Não para queimar a pele tua
Apenas para tatuar
Minha sede de ti.
Ilha 26 de março MMVIIbiografia:
Carmen Lúcia D.Aranda FossariNatural de Florianópolis, filha de Domingos D. Aranda Fossari e de Irene Maria Belli Fossari.
Mestre em Literatura Brasileira, pela UFSC, com opção em Teatro. Diretora de Espetáculos do DAC - Coordenadora e professora da Oficina Permanente de Teatro da UFSC. Diretora e fundadora do Grupo Pesquisa Teatro Novo/UFSC.
Nessa categoria, recebeu inúmeros prêmios estaduais e nacionais, bem como representou o Brasil com espetáculos que dirigiu, escreveu e atuou nos seguintes países: Porto Rico, México, Paraguai, Argentina, Chile,Colômbia e Açores-Portugal,Uruguay.
Esteve com espetáculos no Chile por doze vezes, onde mantém convênio através do GPTN/UFSC com a “Cia. La Carreta” que coordena, naquele país, o ENTEPOLA - Encontro de Teatro Popular Latino Americano .
Dirigiu e produziu mais de 70 peças teatrais nas categorias de Teatro Adulto, Infantil de Títeres e de Rua.
Possui obra incluída no livro “Panorama do Teatro Brasileiro no Século XX” [com fotografia da encenação] autoria de Clóvis Levi, com
edição da FUNARTE, Rio de Janeiro.
Integra o Dicionário Catarinense de Escritores, edição da Fundação Catarinense de Cultura e o álbum Florianópolis Vista por seus Habitantes, de Beto Abreu, dentre outros e o anuário brasiliero de Dramaturgia, RJ..
Como atriz, além de inúmeras peças e recitais de poesias, atuou na minissérie “Ilha das Bruxas”, produzida pela TV Manchete e nos curtas metragens “Alva Paixão” de Maria Emília Azevedo;”Ilha” de Zeca Pires; no média metragem “Alma Açoriana” de Penna Filho e no longa metragem “Procuradas”.
Dirigiu e foi co-adaptadora e produtora do espetáculo “Hamlet Nuestro”, em Santiago, do Chile com a Cia, La Carreta.Direção de espetáculos musicais clássicos e populares.
Roteirista e poetisa Blogs de poesias que mantém:
www.carmenfossari-armazemdapalavra.blogspot.com
www.carmenfossarintatauagem.blogspot.com
www.gazzag.com/pesquisateatronovo [fotolog ]
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Felicitaciones poorla iniciativa desto instrumento de la literatura.Me quede emocionada con la possibiloidad de leer a tantos poetas y poetisas del mundo.Muchas Gracias.Mi cariño y las dulces palabras hasta usteds Carmen [por hoy carmencita de la sierra madre en busca de che guevara]
carmenfossari@yahoo.com.br