INSTANTÂNEOO trânsito caóticonão flui. - Criançasesmolam no farolUm pombo decolaou pousa e somediluído no concretoEnquanto impunea sombra do edifícioengole a minha.***POÉTICATem que serde improvisosem nenhumarazãode existirPedra lascadado instanteinútil absurdoabstratoSe mastigodemaiso poema acabaengolido.IISIMPLESSou estas palavr ...
INSTANTÂNEO
O trânsito caótico não flui. - Crianças esmolam no farol
Um pombo decola ou pousa e some diluído no concreto
Enquanto impune a sombra do edifício engole a minha.
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POÉTICA
Tem que ser de improviso sem nenhuma razão de existir
Pedra lascada do instante inútil absurdo abstrato
Se mastigo demais o poema acaba engolido.
II
SIMPLES
Sou estas palavras onde me encaixo com tudo que tenho
Com estas palavras organizo hortas e chuvas de granizo.
III
SOBRE NADA
breve é o silêncio
entre um poema
e outro
silêncio.
IV
CURTO & GROSSO
o tempo urge por isso a pressa inimiga da perfeição e o dizer nem sempre preciso tudo antes que o poema acabe em outro.
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CONTEMPLATIVO
I
Maduro o fruto cheira alto e longe feito grito no vento
Uma cortina de folhas mostra esconde sua forma sua cor
E a gente nem desconfia até o imperceptível é sugestão de sabor.
CONTEMPLATIVO
II
Maduro o fruto mergulha em si quando cai pesado de mistério e sabor
num instante forma e conteúdo atravessam o vazio em torno [densa membrana]
a parte mais dura de sua casca.
Wilson Guanais
biografia:
Wilson Guanais - Bastos/SP [Brasil], 1972, pintor, escultor e fotógrafo amador, participação em mais de 90 antologias. 4 livros publicados: Cemitério de Navios [2005] e Súbito [2006] pela Meireles Editorial. Um poema pra Loba [2007]e Longe Assim... [2007] pela CBJE.