PREFÁCIODe todas as formas, a que mais ama,a que mais enseja, é a alma turbulenta,a que imperana sucessão dos dramas,cal que sedimenta.Única armadura,nicho de chagas,em vão, a espreitaro corpo,mil sentinelas de magos.Úvida embocadura,necto mineral,enfim, a esplenderem partos,todo o avesso do cristal. HERMAFRODITAQue eu me envolva,que eu em vulva,que eu me em verve.Do corpo adormecido,a saliv ...
PREFÁCIODe todas as formas,
a que mais ama,
a que mais enseja,
é a alma turbulenta,
a que impera
na sucessão dos dramas,
cal que sedimenta.
Única armadura,
nicho de chagas,
em vão, a espreitar
o corpo,
mil sentinelas de magos.
Úvida embocadura,
necto mineral,
enfim, a esplender
em partos,
todo o avesso do cristal.
HERMAFRODITAQue eu me envolva,
que eu em vulva,
que eu me em verve.
Do corpo adormecido,
a saliva acorda-nos em tempestades,
lava-nos em cântaros, a cidade.
Do animal desordeiro,
as ancas trêmulas e góticas,
cavalga-nos o potro em soluços, os cheiros.
Que eu me envolva
na verve de tua vulva,
que eu me inflame
no fluido de teu falo,
que silente calo, calo, calo.
Da boca,
que a reparto em duas,
em desmedida e assexuada gula,
sugo de uma só vez, ambíguos lagos.
POSFÁCIODe todas as formas,
a que mais emana,
a que mais lateja,
é a brecha sumarenta,
a que impele
a secreção da trama,
nau de placenta.
Úmida urdidura,
ninho de lagos,
em vão, a esperar
no porto,
mil caravelas de náufragos.
Ávida tessitura,
nauta sideral,
enfim, a implodir
estrelas,
pelo avesso do cristal.
biografia:
Lívia Tucci'Sou mulher de Marte e de Vênus. Hermafrodita. Uma mutante feliz. Busco em Libra o meu contraste e equilíbrio. No espírito, busco o dedo de Deus e seu sopro. Sou a louca escrevinhadora das emoções e dos soluços roucos. Garimpo a mente e entalho meu corpo a cada saga, nos portos de todas as idades. Percorro os sábios caminhos dos meus gurus e nem sempre sou discípula fiel e me salvo. Busco a nobreza do caráter em cada ser vivo e, até hoje, só os animais têm me surpreendido, me ensinado e me maravilhado. Mesmo assim, aos humanos, dou o livre arbítrio e, na esperança de serem livros abertos, sem a máscara da hipocrisia...encanto-me, na esperança que me surpreendam e me suspendam com asas e papos de anjos.
Sou aquela que desce a cada dia de uma nave espacial. Sou a aranha tecelã que urde a manta de dúvidas e enigmas. A esfinge que te diz: decifra-me ou desista! Minha bússola é minha arte. Só me encontro quando esta me procura. À noite, tenho a lua e os planetas para me desviar deste curso louco. De dia, tenho um sol abrasador e causticante, que deixa em minha pele as marcas dos meus insanos gestos. Sou ambígua e felina, a presa e a predadora...o homem e a mulher deste universo ímpar e misterioso: o meu mundo feminino...pelo avesso, um reino assexuado. Planto árvores, escrevo livros, o poema mais belo é minha filha, que gerou Agatha, um belo haikai. E assim vou caminhando... deixo meus sons pelos túneis urbanos. Minha fala, meus ecos insanos. E o resto, nesta vida, são cacos humanos'.
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