3 S O N E T OS TUDO EM VÃOMinha alma infeliz, que só padece,que desconhece no mundo a alegria,que se abraçou com a dor, que não queria,não tem mais fé no dia que amanhece...Quando elevou as mãos ao céu, um diae implorou à Deus, que nunca esquece,só recebeu a dor, que merecia,porque pediu a paz, que não merece.Será que minha prece, profunda e veemente,não chegaria ao Deus onipotente,e ...
3 S O N E T OS
TUDO EM VÃOMinha alma infeliz, que só padece,
que desconhece no mundo a alegria,
que se abraçou com a dor, que não queria,
não tem mais fé no dia que amanhece...
Quando elevou as mãos ao céu, um dia
e implorou à Deus, que nunca esquece,
só recebeu a dor, que merecia,
porque pediu a paz, que não merece.
Será que minha prece, profunda e veemente,
não chegaria ao Deus onipotente,
e onipresente em cada coração?
Talvez eu leve ao fim, à hora derradeira,
a mesma indagação de minha vida inteira;
Por que, meu Deus? Por que?! Foi tudo em vão...
NADA SE COMPARATu és a deusa de um mundo diferene,
do mundo triste e cinzento dos mortais,
pois os reflexos, que em ti são permanentes,
São nas estrelas do céu, eventuais.
Excedes o poema de amor mais veemente,
porque tua beleza é mais do que demais;
Seria, o Taj Mahal, um pálido presente,
abandonado à teus pés, tão divinais.
Ao teu olhar profundo, nada se compara.
O cintilar mais intenso da jóia mais rara,
ofusca-se, perante o teu semblante triste.
E sendo Deus a fonte suprema da beleza,
O teu imenso esplendor, que humilha a realeza,
é uma prova final que Deus existe.
O ERRO DO MEU PAIMirando a tarde púrpura que caia,
Aureolando em chamas o poente,
Senti que o tempo fugaz, evanescente,
A minha vida aos poucos consumia.
percebi no declinio, enquanto anoitecia,
A lenta decadência, cruel, deliqüescente,
Quando ao prenúncio da morte iminente,
O esplendor do corpo esmaecia.
Quem sabe... A luz do último plenilúnio,
Confirmará o que penso do infortúnio,
O fado triste, que faz de mim um cético,
Vem de um erro fatal, biogenético,
No ritual instintivo do meu pai...
biografia:
MARTINHO FERREIRA DE LIMA Nascido em João Pessoa, no estado da Paraiba, Brasil, escreve há alguns anos em sites de poesia da internet e está para lançar em breve o primeiro livro de papel.
Tem mais de 200 sonetos publicados no site WWW.SONETOS.COM.BR
martimar@bol.com.br