ÁGUA NOVA [Marcelo Mourão]A poesia é minha amigatalvez a maior de todasdoce amiga por aí perdidaSolta no ar ou ainda sem vidacujo paradeiro fico a procurarEla é torneira abertaRasgo longitudinal em meu peitoválvula da panela de pressãoEle não salva,mas ajudaNão mata,mas perturbanuma doce perturbaçãoCostuma ao entardecer ressurgirE aí é que começa toda lutapara que das entranhas ela p ...
ÁGUA NOVA [Marcelo Mourão]
A poesia é minha amiga
talvez a maior de todas
doce amiga por aí perdida
Solta no ar ou ainda sem vida
cujo paradeiro fico a procurar
Ela é torneira aberta
Rasgo longitudinal em meu peito
válvula da panela de pressão
Ele não salva,mas ajuda
Não mata,mas perturba
numa doce perturbação
Costuma ao entardecer ressurgir
E aí é que começa toda luta
para que das entranhas ela possa emergir
sem medos,traumas,culpas
Ela é como a imensa lua
por vezes cheia,nova,
noutras magra,minguante,nua
A poesia é muito minha amiga
e singra comigo mares profundos
Ela é uma fonte de água nova
que me deixa menos moribundo
É a mágica que uso pra me entender
e com a qual me protejo do mundo
Na verdade,eu sou a minha poesia
Eu sou quase todo mundo. 10/11/2005
MULHERES [Marcelo Mourão]
Não compreendo as mulheres
Muitas vezes falam um idioma interno só delas
Muitas vezes falam,gesticulam ou demonstram
justamente o contrário daquilo que querem
muitas vezes nos testam,nos cercam
em perguntas que parecem desinteressadas
em horas em que se fingem desligadas
Não compreendo as mulheres
Em seus dias mais difíceis
Em seus desejos de serem mimadas
Em seus ouvidos contrários a críticas
Mas escancarados a elogios e belas palavras
Não compreendo as mulheres
que juram só querer carinhos
mas que se apaixonam pelos canalhas
que sonham com um príncipe bonzinho
mas que se atraem pelo mau caráter
que amam flores,presentes,ursinhos
mas que amam mais ao serem pisadas.
Não compreendo as mulheres
Sejam as solteiras ou as casadas
as tímidas,as assanhadas
as grudentas,as descoladas
as maduras ou as recém-desmamadas
Não compreendo as mulheres
Mas com isso nem fico mais intrigado
Se nem Freud as entendeu,quem sou eu pra decifrá-las ?
Fica então decidido:
Mulheres não são para serem compreendidas,
Mulheres são pra serem amadas !
19/05/2006
TÂNTRICA [Marcelo Mourão]
Afagar seus cabelos com carinho
Afagar também sua pelugem macia e escondida
Abrir seu ninho túrgido e umedecido
Demorar ao beijá-la
Demorar a senti-la
Ir elevando os graus Celsius
de forma adocicada e progressiva
Em mim,sinto a química,a magia
de fazer carne ir virando pedra
enquanto assisto-te,arfante e aflita,
ronronar suspiros,senha pro fim da espera
mas só que eu insisto em brincar,
prolongar tua ânsia.
Você morde o lábio e seus olhos ora embaçam
ora me seguem como se pedissem um pouco de ar
Até que você resolve também começar a jogar
Roça o rígido mamilo em meus lábios
Amamenta e também quer sugar
E suga como uma bezerra recém-parida
com uma fome que parece nunca acabar
lambe,suga,degusta,engole,saboreia
me vence,já não consigo me resguardar
e,feliz e vingada,não segura a risada
me puniu deliciosamente pela brincadeira prolongada
desrepresando o que não era pra já
E,não se dando ainda por satisfeita,
Sôfrega,sorveu todo o néctar do amor
sem deixar sobras,numa só golada
um misto de querer me apaixonar
e orgulho ferido de fêmea provocada
Agora,você é quem me afaga os cabelos,
Esperando por uma nova jornada.
22/06/2006 biografia:
Marcelo Mourão pé poerta,escritor,professor.tem 34 anos e nasceu e vive na cidade do Rio de Janeiro[Brasil]. Começou a escrever aos 13 anos e artpé hoje não parou.
buruzunga@ig.com.br