NuApelo de ÉbanoBenditos deuses de ébanoBantos negros dos cantos distantesContas e contos de ÁfricasEm teus prantos banhados de sóisAlmas de benignos olharesPerdoem-nosBrancos escravos somos, dos teus lençóis.*****************************MortívagaRadiante quebrei lágrimasPalavras aos tropeços caíram-me dos lábiosPintei de ...
NuApelo de Ébano
Benditos deuses de ébano Bantos negros dos cantos distantes Contas e contos de Áfricas Em teus prantos banhados de sóis Almas de benignos olhares Perdoem-nos Brancos escravos somos, dos teus lençóis.
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Mortívaga
Radiante quebrei lágrimas Palavras aos tropeços caíram-me dos lábios Pintei de cratera o teu vermelho Respinguei vinho sobre teu cântaro Rezei a prece dos bárbaros
Sorvi de teus olhos a pétala primeira Mordi teu peito, saboreei centelhas Lavas incandescentes choveram em mim Bordei a mortalha no corpo Na manhã que em ti anoiteci.
***************************** Exorcismo
De ti não quero nada Nem dinheiro nem presença Nem os vestígios das tuas crenças embutidas em todas as tuas mentiras
De ti não quero teus amargos pensamentos Tua saliva ácida a entorpecer meus sentimentos Nem as horas mal acabadas dos teus dias
De ti nem os açoites por entre os dentes Não quero nem a semente germinada no teu ventre
Nem o som esquálido que sai da tua garganta Nem os teus tropeços em meus documentos
Exorcizo você...
Com a tinta da caneta na poesia tingida em meu caderno
biografia:
Escrevo as coisas que estão em mim. Quanto ao trabalho da escrita, deixo que meu coração fique à vontade, que fale o que quiser e se expresse com a sensibilidade do momento, não o censuro nem o imponho regras. Até porque, nesses momentos, flui a vida na mais total liberdade. E se não encontro a métrica da poesia correta, peço que não se preocupe, não me preocupo, não por agora, não por enquanto. Tudo tem seu tempo e hora. E sei que será uma trajetória-aprendizado-conquista natural. Simples assim... Se toco com meus escritos outros corações, minha percepção me diz que estou no caminho certo, já que estamos sempre buscando o encontro deles mesmo; o acaso nunca é um acidente. Meu nome é Jaqueline Serávia, 41 anos, carioca, mulher, dona de casa,profissional, esposa, mãe e poeta.