BRIGAS BrigasPorque a janela do quarto já não satisfaz as tuas manhãsComo uma lesma que já não sabe o que é viver de esmolas e perdõesE que sofres pela falta do carinho que não destesOusasQue por mais que repitasQue tudo são como bombas feridasE que o colar que usasReluz ferro e brasasÉs filho da inconfidência e da língua vãPartesComo quem carregas um chaveiro sem chavesUm olhar que a ...
BRIGAS Brigas
Porque a janela do quarto já não satisfaz as tuas manhãs
Como uma lesma que já não sabe o que é viver de esmolas e perdões
E que sofres pela falta do carinho que não destes
Ousas
Que por mais que repitas
Que tudo são como bombas feridas
E que o colar que usas
Reluz ferro e brasas
És filho da inconfidência e da língua vã
Partes
Como quem carregas um chaveiro sem chaves
Um olhar que afana a podridão de uma trilha deserta
E de um beijo que já não suportas o que reclamas
E chagas
É o que carregas na mala
Um estopim que a cada minuto estampas
Como um infortúnio de uma mina maltrapilha e febril
Prima de uma obra que já não enganas
Uma quadrilha de desastres e cinismos
E como verme da noite
Rastejas tal qual um discípulo
Que escarra pelo faro
A farinha, qual avaro
Do seu próprio destino.
CgurgelCÂNHAMOainda ontem
chorei por ti
lá
naquela árvore centenária
onde os arrumadinhos dos desertos
farturam sísmicos
ainda ontem
lembrei de ti
como uma crosta de fim de semana
um lépido e iconoclasta vexame
crocodilo de lavandas e fétidas faces
ainda ontem
procurei por ti
como um ímã irmã
por entre dentes
bilhetes, aromas
e tudo que estocas
ainda ontem
sonhei por ti
como lacre de um vôo
que ladrilha arquipélagos
espingardas e espelhos vazios
ainda ontem
esperei por ti
como um moço perdido no poço profundo do passado
na porta da infâmia
por onde voce sempre perambulou
ainda ontem
perdi voce
como um cíclope carneiro
por entre chuvas, pontos e fugas
no meio do salto de onde voce nunca se deu
ainda ontem
voce sumiu
como uma usina de lanças e tulipas
embocadura de uma resina que me basta
trapézio de uma fábrica de matilhas
como fome de uma ânsia que me parte.
Cgurgel ENFERMARIA DE BRINQUEDOS E CIÚMESsou somente o mínimo possível percebível
graças
ao crivo de um cravo
semente
sou
simplesmente
único
um platô de circunstâncias
pleno pulmão de uma ave assassina
demente
sou
como voces sabem
um pária
um molusco
um vária
sou
somente
o que dizem de mim
alguma coisa disforme
um apanágio
um espantalho
talvez um baralho
barulho do fim do que me resta
uma besta
uma fera
uma cesta
uma vela
deveras
sou
como não poderia deixar de ser
uma bolha
talvez de cifrão
certamente de barro
eu sou
um pouco de tudo
um lúbrico
como um anzol
um pincel
um binóculo
e um escarcéu
como uma gangorra
que voa
solta
como um pígarro
um gargalo
de nós
mas só sou
como uma espera
que brilha
ao redor dos meus medos
um arremedo do fim
um fantasma no jardim
como um tráfego
de caras
faces
fisionomias
e títeres rostos
sou assim
como nunca vou deixar de ser
uma fagulha
de uma parede que mora ao lado
eu sou sim
uma muralha
um estopim
bem estocado
como só os piores pios dos pássaros espiam:
uma lama de pés
aqui
e no convés.
Cgurgel mini-biografia:Carlos GurgelNasceu em Natal. De uma família de artistas. Seu pai, Deífilo Gurgel, poeta e renomado folclorista. Seu irmão, Fernando Gurgel, pintor. Seu tio, Tarcisio Gurgel, é escritor e professor na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, na disciplina de Jornalismo.
Carlos Gurgel participa dos sites: Alma de Poeta, Recanto das Letras. É o moderador no estado do Proyecto Sur, diretor estadual da Federação Brasileira de Alternativos Culturais, membro da comissão julgadora do concurso literário 'Luis Carlos Guimarães', além de coordenar o projeto 'Bendita Poesia'.
Tem um blog, vário: http://onthee.blogspot.com/ , onde reproduz textos, poemas, fotos, resenhas de outros autores, e publica textos e poemas seus.
Está em estúdio, gravando o seu cd, o 'Perpétua Saliva', um repertório de 13 poemas, onde, com várias texturas sonoras, radiografa o que sente e sonha.
Apresenta-se em congressos, saraus, feiras culturais; com o seu espetáculo performático, o 'Out Dor', recheado de sussuros, silêncios e urros.
Mora em Natal, cidade repleta de praias e luais. Uma cidade iluminada pela sua data de fundação [25/12], onde recebe, sem cessar, turistas que sentem-se atraidos pela sua hospitalidade e relíquias
Carlos Gurgelcontato:
gurgelpoesia@yahoo.com.br