Em nome do amorVão acusar o poeta porque amaE não reclama destes temposFoscos e insossos no poemaVão perder a calma e a almaPorque a lama infinita deixa gente aflitaVão acusar de pueril, ingênuo e efêmeroO verso que não retrata o iníquo, o vilVão perder a calma porque a dor que háNão veio à minha casa para tomar da flor o lugarE ela, bela que se me faz desde onde estáQue floresce em n ...
Em nome do amorVão acusar o poeta porque ama
E não reclama destes tempos
Foscos e insossos no poema
Vão perder a calma e a alma
Porque a lama infinita deixa gente aflita
Vão acusar de pueril, ingênuo e efêmero
O verso que não retrata o iníquo, o vil
Vão perder a calma porque a dor que há
Não veio à minha casa para tomar da flor o lugar
E ela, bela que se me faz desde onde está
Que floresce em nosso jardim
Resiste a tanta negação e disparate
Insiste em ser arte
Semântica insolente da vida
Que é bela desde o lodo
Que só agora é flor
Porque já foi semente
E é linda para os que amam
Prova de que mais se ama
Quanto mais amor existe
E, mesmo que saiba eu dos tempos
Miseráveis, violentos e tristes
De sonhos adiados,
Esquecidos
Engavetados ou traídos
Sabendo da exploração pela ganância
Não me convencerão de que não deva amar
Não deva cantar o amor
É com ele, que o trago no peito e na mirada
Que posso dar o que tenha para mudar
Em flores as dores que os de baixo sentimos
Para dizer às pessoas amigas
Que temos os mesmos inimigos
E que os venceremos cantando,
Caminhando com flores, sim,
E com o que mais necessário for
Em nome do amor
Adroaldo Bauer · Porto Alegre [RS] · 15/9/2007 21:01 · 120 votos · 14 · ----
Imperfeito RetornoEm sociedade
Relações de produção
Determinam relações sociais
Em sociedade, tudo se sabe
Da Cultura, da Ciência e das Artes
Das transas e das reproduções
Política disfarça e conforma
Como religião que molda e transforma
Do púlpito ao Éter
Profana o sagrado
Amassa em massa
Para além das classes em luta
Para além do luto e de Meca
Bomba e foguete por um deus
Petróleo a mil pelo barril
É tudo antigo antes que velho
É tudo desabotoado, desabotinado, desbotado, desmanchado
E, no entanto, exato
Porque esteve no ar, insuficiente, insubsistente
Vivendo a não morrer
Sem dúvida que há dúvida!
Quem duvida da vida:
É ter na mente
A criação
E muita fé no coração
Contra as penas e
a eterna danação.
Hesito.
Certo.
Paixão trocada por razão
Nos traz de volta ao recomeço
Meço de novo
Medito
Me digo:
Nem mais, nem menos
Que o retorno imperfeito!
10.08.2006---
És a mulher que fostes, és também o vento à tarde Voltastes com o vento
Percebo-te nele,
Então não te fostes
Para sempre não existe,
se vens sempre com o vento
Reencontrei-te ao fim da tarde
Quando o sol já não mais arde
E as nuvens, antes figuras inéditas
Assumiram os teus perfis
A ti que me visitastes no vento
Digo que te encontrei também assim
É meu alento, que não te perdi
Reencontrei-a no limiar do horizonte
Quando noite ainda não era
E tu, tão apenas vento
Deixou de ser quimera
E novamente tornou-se a mulher
Que mais amou filhos que não tivestes
Filhos que sequer eram teus
- São crianças, são também minhas!
Dizias sem falar,
Porque sentias e assim a víamos
E amou tanto porque nos amava
Tanto, que me perguntava
Onde tamanho amor encontravas?
E, sem respostas tuas, sei agora, como antes adivinhava
É que a medida do amor aumenta à quantidade que se ama
E esse, de mulher generosa que te destes,
Para a vida que fazias tão doce,
Sobrou-me à sobeja para eterna lembrança
Amiga, sou feliz por ter te conhecido
E tenho também muito carinho por ti
Quando meus filhos perguntarem onde estás
Como te senti há pouco, onde estavas
Emprestarei do poeta a figura que nos ensinou
Estás com o vento, vens com o vento
Estás conosco, viva, em pensamento
10 Agosto, 2007biografia:
Adroaldo Bauer Spíndola CorrêaPubliquei contos e poemas em jornais e em blogs. Mais recentemente em Overmundo. Coordenei o Projeto de Descentralização da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre em 1993/96 e 2003/04. A ação em oficinas e programação de espetáculos alcançou público superior a 1 milhão de pessoas em uma década. O orçamento da Descentralização se elevou de R$ 174.000 00 executados em 1993 a R$ 1.500.000 00 orçados para 2005.
Recebi da Câmara de Vereadores de Porto Alegre o Prêmio Honra ao Mérito em 2005. Em 1995 recebera a comenda Cidadão do Samba da Associação das Entidades Carnavalescas. De 1989 a 1992 fui vereador da Capital. Dos que mais apresentou e aprovou emendas à reforma da Lei Orgânica do Município em 1990. Desde os anos 1980 integrei a Diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul; sendo membro da Comissão de Ética da entidade ainda em 2007.
Nasci na Parnaíba - PI, em 03 de outubro de 1952.
Vivo em Porto Alegre - RS desde novembro de 1953
adroaldo.rs@terra.com.br