Amor ao efêmeroDeus fez do efêmero sua pátria.Ensinou-me a não buscá-lo.Hoje tenho não mãos uma folhaSei que ela é plena como o mais santo dos livros.As formigas, todas elas, o conhecem por não ter consciência.Sem teologias, elas apenas comungam e sentem o que compõe as folhas.Decifram às letras veladas no efême ...
Amor ao efêmero
Deus fez do efêmero sua pátria. Ensinou-me a não buscá-lo. Hoje tenho não mãos uma folha Sei que ela é plena como o mais santo dos livros. As formigas, todas elas, o conhecem por não ter consciência. Sem teologias, elas apenas comungam e sentem o que compõe as folhas. Decifram às letras veladas no efêmero como cartas de amor. Vendo-as, torno-me descrente e insisto em não querer Deus. Ele é a relva que está sempre saltando e colorindo as folhas. Qualquer pergunta a seu respeito Não é mais que a estou por fazer Do que se compõe às flores? Apenas de instantes. De beleza e perfume. Elas existem sem almejar o céu A terra com úmido calor beija seus corpos. Desconhece todo significado e não traz notícias de Deus. Gosto de igreja ornada de flores Elas me capturam Me fazem esquecer o padre e seus discursos. As vozes que sempre apontaram Deus Silenciam dentro de mim Formigas e flores são efêmeras Não possuem verdades Por isso, são belas.
Pôr do Sol
O sol, todo dia prende-se à copa da árvore. Fixa-se por um tempo efêmero Até que o vento cante para a árvore E em estado de valsa Seus galhos lançam o sol para o horizonte.
Lua minguante
O céu negro piscou pra mim A lua era minguante
biografia:
Messias Nunes, poeta, graduado em Filosofia e graduando em História na Universidade Estadual de Santa Cruz, Ilhéus, Bahia. Atualmente reside em Itabuna. Sua poesias expressam a vida em sua essência e o amor ao efêmero como manifestação do belo.