LEMBRANÇAS Em tardes de mormaço o teu regaçome acolhia de pronto sem titubear.Com a cabeça lerda, nada pensando,olhava as folhas levadas pela água,límpida e lépida, rio abaixo.Teus olhos faiscavam, os seios tremiame eu te observava com encantamento.Como era linda! Tudo era assim...Só a inconsequência reinava em mim!Aquele rio ainda está lá silencioso,rápido e frio transportando lembra ...
LEMBRANÇAS Em tardes de mormaço o teu regaço
me acolhia de pronto sem titubear.
Com a cabeça lerda, nada pensando,
olhava as folhas levadas pela água,
límpida e lépida, rio abaixo.
Teus olhos faiscavam, os seios tremiam
e eu te observava com encantamento.
Como era linda! Tudo era assim...
Só a inconsequência reinava em mim!
Aquele rio ainda está lá silencioso,
rápido e frio transportando lembranças.
As águas se foram, correm outras,
mas nem tudo recomeça...
A margem é a mesma de então,
com a mesma grama macia que pisávamos,
com o orvalho brilhante
e com grilos saltitantes.
Eu voltei, voltei várias vezes
mas eu não sou eu, tu não estás
nem és tú! Para quê?
Lá não vou mais, não há sentido!
Aquela água, mesmo sendo outra,
cicia um nome que me machuca,
pois a distância consumiu o corpo,
mas a lembrança e o nome lá estão
impregnados em todas as coisas.
Banco Central, 1985MINEIROSEscravos contemporâneos,
tais formigas no vai e vem.
Põem ao sol pelados crâneos
em busca do que mão têm.
Curvados sob um sonho,
enluvados por um vintém,
passam o dia enfadonho
escavoucando para alguém...
Esqueceram um lar formado
só onde seriam amados,
onde estariam suados,
mas suor que lhes convêm...
RETRATO DE UM MUNDO NOVOBalança mundo, trepida
homogeneia raças e sentimentos,
vomita, ao fim, uma só vida:
Extrato sem sortimentos.
Quebra-se espelhos inúteis,
expurga-se a psiquiatria,
fora a todos que fúteis
são lesivos a harmonia.
Pandora não abre a caixa, maus não atingem os gêmeos:
Filhos da mesma faixa,
vômitos homogêneos.
Eis um Éden comtemporâneo!
Aem Adão e Eva, sem pecado.
Por agora um instantâneo,
breve será mostrado...
MISERICORDIASenhor Jesus eu vos peço Misericórdia:
Para o motorista que não sabe guiar,
Para a lingua da discórdia,
Para aqueles que não sabem amar.
Peço-vos Misericórdia Senhor:
Para aquele que impõe castigo,
Para aquele que aumenta a dor,
Para aquele que semeia inimigo.
Eu vos peço Senhor Jesus,
Que tendo sido morto na cruz...
Perdoe-lhes seus pecados.
Que sejam poucos os castigados.
Uma sentença eu mesmo impus:
Demita-se o motorista,
Aquele que MAL CONDUZ.
biografia:
Djalma Amorim de Santana, nasceu em Ilhéus/Bahia/Brasil em 08/07/1953, pertence a varias instituições lterárias de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Goiás, Paraíba, e uma Academia de Letras de Londres. Trabalhos publicados em jornais e antologias, menções honrosas e medalha de prata em concursos nacionais. Livros publicados: Apenas Um Lamento- ICB/B. Horizonte/1985 e Gritos -Edições Caravelas-R.G.do Sul/1985. Aposentado.
djalma-foca@hotmail.com