Cruzes RetorcidasOlhos fixosCruzes retorcidasCemitério no morroChurrasco em microondasExecutadoSentença de morteQuem será o próximo queimado?Quem é o bandidoOnde foi parar o mocinho?Há muita confusão por aquiExplodem fogosAvisos em artifício'Chegou o 'pó'Todos se calamNinguém nada viuNinguém viu nadaCalam-se, pois morto não falaNada muda por aquiO verso é inversoCruz iluminadaCadáver ...
Cruzes RetorcidasOlhos fixos
Cruzes retorcidas
Cemitério no morro
Churrasco em microondas
Executado
Sentença de morte
Quem será o próximo queimado?
Quem é o bandido
Onde foi parar o mocinho?
Há muita confusão por aqui
Explodem fogos
Avisos em artifício
'Chegou o 'pó'
Todos se calam
Ninguém nada viu
Ninguém viu nada
Calam-se, pois morto não fala
Nada muda por aqui
O verso é inverso
Cruz iluminada
Cadáver descomposto
Mundo oco
Mundo absurdo
Recolhe todo mundo
Cidadão não tem direito
Quem manda 'são os cara'
'É nóis na Parada!'
E tu que assiste:
Cala pra não perder a carcaça
Rose de Castro
A 'POETA'ComoçãoManhã
Saindo pra comprar pão
A cabeça do moleque cortada
Corpo em fatias
Coração mudo
Olhos abertos
Sem pano
Sem vela
Um moleque
Um vazio
Sangue preto
Preto...negro...
Menino escuro
Caído só o vulto
De um mocinho cidadão
Cidadão?
Comoção...
Ladrão? Traficante...
No máximo 8 anos de idade
Falta de estudo
Falta de tudo
Falta de amor
Nas mãos um cordão e a arma
Que ninguém levou
Drogas e armamento
Ninguém furtou
O povo continua chutando
O corpo sem vida
Sem sabedoria
Será que tem família?
Sem instrução
Infância perdida
Ai, Senhor...
Adianta chorar?
Desencanto no meu coração
Comoção
Não consegui comer o pão
Rose de Castro
A 'POETA'FantochesConverteu-se em lamentação a nossa dança
Os meninos tropeçam nas armas
Os bandidos defraudam túmulos
Roubam de um tudo
Armam o bote
Ferem de morte
Matam com sorriso
Cospe em escárnio
Sorriem como se fossem os donos
O mundo maligno purifica suas armas
Eu bebo do vinho sagrado
Enquanto elas sangram nosso fardo
Viva o direito humano
Proibido a pena de morte
Nós, que ralamos o dia todo,
Não somos humanos
Coisa nenhuma
Somos fantoches
Ibopes do dia
Notícia pra vender jornal
Isso é imoral!
Somos animais
Rose de Castro
A 'POETA'biografia:
Rose de CastroMoro no Rio de Janeiro. Sou escritora e poeta [não gosto da palavra poetisa, não me cai bem]. Tenho 03 livros lançados. O último, 'BraZil e Agora?', é o retrato da triste realidade de nosso País. Da dominação dos bandidos, da nossa insegurança, do descaso político, da falta de apoio e educação para as crianças. Da corrupção e desumanidade. Da poluição dos Rios, da falta de tratamento das águas, da mente desumana dos governantes. Se eu fosse Deus, acabaria com o ser enquanto humano e só deixaria vivos os poetas.
rosedecastrobr@terra.com.br